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Entenda como a dosimetria pode impactar Jair Bolsonaro

O Congresso Nacional deve analisar nos próximos dias os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado PL da dosimetria, proposta que altera critérios de cálculo e progressão de penas. A votação está prevista para ocorrer em sessão conjunta entre Câmara e Senado, e a tendência observada entre parlamentares é de possível derrubada dos vetos, o que pode gerar impactos diretos para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O projeto trata de mudanças relevantes no sistema penal, especialmente na forma como penas são somadas e no tempo necessário para progressão de regime. Um dos pontos centrais envolve a definição de quanto da pena deve ser cumprida antes que o condenado possa migrar para regimes menos restritivos, como o semiaberto.

No caso de condenações que envolvem liderança de organização criminosa, o texto estabelece que ao menos 50% da pena deve ser cumprida inicialmente. Essa regra é relevante porque foi justamente esse tipo de agravante considerado em julgamentos ligados aos atos de 8 de janeiro, inclusive no caso de Bolsonaro, que foi condenado a mais de 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal.

Pelas regras atuais, a progressão de regime ocorre com base em percentuais que variam conforme o tipo de crime e o histórico do condenado. Em linhas gerais, o tempo mínimo gira em torno de 16% da pena para casos comuns. O projeto, no entanto, propõe ajustes nesses percentuais, estabelecendo novos critérios que podem alterar significativamente o tempo de permanência em cada regime.

Outro ponto importante da proposta diz respeito à unificação de penas em casos onde há múltiplos crimes cometidos no mesmo contexto. Pelo texto, nesses casos, passaria a valer apenas a pena mais grave, em vez da soma total das condenações. Essa mudança pode reduzir o tempo total de prisão para determinados réus.

Além disso, o projeto prevê a possibilidade de redução de pena em situações envolvendo multidões, como ocorreu nos atos de 8 de janeiro. Pessoas que não tenham exercido papel de liderança ou financiamento poderiam receber um redutor de pena que varia de um terço a dois terços, o que pode beneficiar uma parcela significativa dos condenados.

Outro aspecto introduzido pelo texto é a ampliação das formas de remição de pena. Atualmente, a legislação permite redução do tempo de prisão principalmente por meio de estudo. Com a proposta, o trabalho também passa a ser considerado como critério formal para abatimento da pena, ampliando as possibilidades de progressão.

A decisão de vetar integralmente o projeto foi anunciada por Lula durante cerimônia que marcou três anos dos atos de 8 de janeiro, realizada no Palácio do Planalto. Na ocasião, o presidente destacou a importância da defesa das instituições democráticas e elogiou a atuação do Judiciário.

Para que o veto seja derrubado, é necessária maioria absoluta nas duas casas do Congresso: ao menos 257 votos na Câmara dos Deputados e 41 no Senado. Caso isso ocorra, o texto original do projeto passa a valer integralmente.

O debate em torno do PL da dosimetria envolve diferentes interpretações sobre justiça penal, proporcionalidade das penas e impacto das mudanças no sistema jurídico. Enquanto alguns parlamentares defendem ajustes nas regras como forma de equilibrar punições, outros argumentam que alterações podem afetar decisões já consolidadas pela Justiça.

A eventual derrubada do veto pode trazer efeitos imediatos para centenas de condenados, alterando prazos de cumprimento de pena e critérios de progressão. O tema segue no centro das discussões políticas e jurídicas, com expectativa de votação decisiva nos próximos dias.

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