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Mulher perde a vida logo após receber alta da UPA, família questiona atendimento

Uma mulher de 40 anos morreu horas após ser liberada de uma unidade de saúde em Santa Catarina, e o caso gerou questionamentos da família sobre o atendimento prestado. A ocorrência foi registrada na Grande Florianópolis e está cercada de dúvidas sobre a condução médica.

Angela Moraes Rodrigues procurou atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Forquilhinha, em São José, após acordar com fortes dores abdominais e tontura. Segundo familiares, o quadro era intenso desde as primeiras horas do dia, o que motivou a ida imediata à unidade de saúde.

De acordo com o relato da família, Angela recebeu atendimento ainda pela manhã, onde foi medicada com soro e passou por avaliação clínica. Após o atendimento, ela foi liberada por volta do meio-dia com prescrição de medicamentos para dor, incluindo paracetamol e fosfato de codeína. A orientação recebida, segundo os parentes, foi de que não se tratava de um caso grave.

No entanto, mesmo após retornar para casa, o estado de saúde da paciente não apresentou melhora. Familiares afirmam que ela continuava com dores e apresentava sinais de que algo não estava bem. A situação se agravou ao longo da tarde, quando Angela voltou a relatar desconforto intenso.

Por volta das 16h, a mulher desmaiou dentro de casa, o que levou os familiares a tentarem socorrê-la novamente. Ela foi levada até a Unidade Básica de Saúde (UBS) Ipiranga, a mais próxima da residência. Segundo os relatos, Angela já chegou ao local sem sinais vitais.

A equipe de saúde ainda tentou realizar manobras de reanimação, mas não obteve sucesso. O episódio gerou revolta entre familiares, que também criticaram as condições do atendimento no momento do socorro, relatando falta de estrutura adequada no acolhimento.

A causa da morte foi confirmada por meio de exame de necropsia. De acordo com o atestado de óbito, Angela morreu em decorrência de um choque hipovolêmico, causado por uma hemorragia interna grave. A origem do problema foi a ruptura de um aneurisma de aorta abdominal, condição associada à hipertensão arterial.

O caso levanta discussões sobre a dificuldade de diagnóstico em situações que podem inicialmente parecer menos graves, mas evoluem rapidamente. Aneurismas, por exemplo, podem permanecer assintomáticos até o momento da ruptura, quando se tornam emergências médicas de alta gravidade.

A família busca respostas sobre o atendimento inicial e questiona se houve falha na avaliação clínica durante a passagem pela UPA. Um dos pontos levantados é a condição em que Angela chegou e saiu da unidade, já que, segundo a filha, ela não conseguia andar em nenhum dos momentos.

Até o momento, a prefeitura de São José, responsável pelas unidades de saúde envolvidas, não se pronunciou oficialmente sobre o caso. O silêncio institucional aumenta a cobrança por esclarecimentos por parte dos familiares e da comunidade.

Casos como esse evidenciam os desafios enfrentados no atendimento de urgência, especialmente quando sintomas podem indicar diferentes níveis de gravidade. A investigação deve analisar se os protocolos médicos foram seguidos e se havia sinais clínicos que justificariam uma conduta diferente no primeiro atendimento.

Enquanto aguardam respostas, familiares e amigos lamentam a perda e cobram transparência sobre o que aconteceu. O caso segue em aberto e pode resultar em apurações mais detalhadas sobre a atuação das equipes de saúde envolvidas.

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