Seis pessoas são indiciadas, entre elas um PM

O desaparecimento de uma família inteira em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, ganhou novos contornos após a conclusão do inquérito da Polícia Civil. O caso, que já mobilizava moradores da cidade e gerava apreensão nas redes sociais, agora aponta para um desfecho ainda mais complexo, com seis pessoas indiciadas, entre elas um policial militar.
No centro da investigação está Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, que sumiu junto com os pais, Isail e Dalmira Aguiar, ambos idosos. O trio não é visto há mais de 80 dias, desde o final de janeiro. A ausência repentina chamou atenção não apenas pelo vínculo familiar, mas também pela rotina conhecida da família, que administrava um minimercado na região — hoje fechado, com portas baixadas e sem previsão de reabertura.
O principal suspeito é o ex-marido de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, preso desde 10 de fevereiro. Segundo a polícia, ele foi indiciado por diversos crimes, incluindo feminicídio e ocultação de cadáver, além de responder por outros homicídios qualificados relacionados ao caso. A investigação também incluiu a atual esposa dele, além de familiares próximos e um amigo, todos apontados como possíveis participantes.
Um dos aspectos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a movimentação nas redes sociais pouco antes do desaparecimento. No dia 24 de janeiro, Silvana publicou que havia sofrido um acidente de trânsito ao retornar de Gramado. No dia seguinte, fez uma nova postagem agradecendo pelas mensagens de apoio. No entanto, a apuração revelou que o acidente nunca aconteceu. O carro da vítima foi encontrado na garagem de casa, intacto, com a chave dentro.
Esse detalhe levantou dúvidas desde o início e acabou se tornando uma das peças centrais do inquérito. Para a polícia, as publicações podem ter sido usadas como estratégia para justificar o sumiço e afastar suspeitas iniciais.
Outro ponto relevante envolve o comportamento dos pais de Silvana. Ao verem as postagens e não conseguirem contato com a filha, eles iniciaram buscas por conta própria. Chegaram a procurar uma delegacia, mas encontraram o local fechado por ser domingo. Depois disso, também desapareceram, sem deixar rastros.
A perícia encontrou vestígios de sangue na residência da família, compatíveis com o material genético de Silvana e do pai. Esse dado reforçou a linha investigativa adotada pelos agentes, que passaram a trabalhar com a hipótese de que os três não saíram do local por vontade própria.
O inquérito, com mais de 20 mil páginas, é considerado um dos maiores já produzidos pela Polícia Civil do estado. Para efeito de comparação, casos históricos no Rio Grande do Sul tiveram volumes menores de documentação, o que demonstra a complexidade e o nível de detalhamento dessa apuração.
Enquanto o processo segue para análise da Justiça, o caso continua repercutindo na região. Moradores de Cachoeirinha acompanham atentos cada nova informação, ainda impactados pelo desaparecimento de uma família conhecida no bairro.
Mais do que números e acusações, a história deixa um rastro de perguntas sem resposta e evidencia a importância de investigações minuciosas. O que começou como um suposto acidente acabou revelando uma trama muito mais ampla — e ainda cercada de silêncio.



