Paulo Guedes critica Lula e descarta ser ministro se Flávio caso seja eleito

Chamado de “posto Ipiranga” da economia durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2022, o ex-ministro Paulo Guedes fez duras críticas à política econômica adotada na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O economista também falou sobre os gastos da União, que considera excessivos.
Para Guedes, que se afastou da vida pública e voltou ao setor privado após o fim do governo Bolsonaro, o terceiro mandato de Lula vem sendo marcado pelo aumento desenfreado dos gastos públicos e pelo afrouxamento fiscal, o que fez a relação dívida pública/PIB disparar.
“Nós tínhamos uma política fiscal forte. Quando o fiscal é forte, a moeda é suave e os juros são baixos. Você muda a dose e bota um fiscal frouxo agora. Como o fiscal está frouxo, o freio monetário começa a ser puxado”, criticou o ex-ministro da Economia, nessa sexta-feira (17/4), no workshop Corban360, evento do mercado financeiro realizado em São Paulo.
“Somos uma geração que pagou pela guerra da Covid e deixou a situação melhor ainda para nossos filhos e netos. Este governo já gastou mais do que nós gastamos durante a pandemia, só que hoje não tem pandemia. Mudou a dose. O fiscal era forte e esse juros baixos deixavam a economia crescer”, prosseguiu.
Ao final do governo Bolsonaro, em dezembro de 2022, a dívida pública federal estava em 73,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em fevereiro de 2026, de acordo com dados do Banco Central (BC), o patamar da dívida havia atingido 79,2% do PIB.
Segundo o ex-ministro de Bolsonaro, a consequência de uma política fiscal errática é o aumento da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano. “Os juros vão lá em cima e começam a destruir tudo: investimento privado, crédito, consumidor. Começa a estraçalhar uma indústria nova que estava surgindo”, aponta.“Chance zero” de voltar à política
Durante a participação no seminário voltado ao mercado financeiro, Paulo Guedes foi incisivo ao dizer que não voltará ao governo. Ele também descartou qualquer possibilidade de ser candidato a cargos públicos.
Mesmo em caso de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições presidenciais de outubro deste ano, Guedes afirmou que não há chances de retornar à Esplanada dos Ministérios em 2027. “Não tenho a menor chance de entrar em política. Zero chance”, afirmou o ex-ministro.
No mês passado, durante um ato político com apoiadores, Flávio prometeu que, se eleito, dará “continuidade” ao trabalho liderado por Guedes na área econômica.
“Não tem por que antecipar agora, mas na parte econômica é importante deixar claro: o presidente Bolsonaro tinha uma necessidade de anunciar com antecedência quem seria o ministro da Economia, porque havia uma dúvida de para onde a economia iria no possível governo Bolsonaro. Eu não tenho essa preocupação porque todo mundo sabe que vou dar continuidade ao que o Paulo Guedes começou a fazer com o país”, disse Flávio.
Durante um evento recente do mercado financeiro em São Paulo, o economista Paulo Guedes voltou ao centro do debate ao comentar os rumos da economia brasileira. Conhecido por ter sido o principal nome da área econômica no governo de Jair Bolsonaro, Guedes adotou um tom crítico em relação à condução atual, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em sua fala, o ex-ministro retomou uma comparação direta entre os dois períodos. Segundo ele, a gestão anterior teria priorizado um controle mais rígido das contas públicas, o que, na visão dele, ajudava a manter juros mais baixos e incentivava o crescimento. Já o cenário atual, afirmou, caminha em direção oposta, com aumento significativo de despesas e menor disciplina fiscal.
A crítica principal gira em torno do crescimento dos gastos públicos. Guedes destacou que, mesmo após o período crítico da pandemia, o nível de despesas continuou elevado.
Para ele, isso altera o equilíbrio da economia: quando o governo gasta mais do que arrecada de forma consistente, a pressão recai sobre a inflação e, consequentemente, sobre a taxa de juros.
Esse ponto, aliás, tem sido tema recorrente no noticiário econômico. A taxa básica de juros, a Selic, permanece em patamar alto, o que impacta diretamente o crédito, o consumo e os investimentos. Na prática, isso significa financiamentos mais caros, menos estímulo para novos negócios e um ritmo de crescimento mais contido.
Outro dado citado por Guedes reforça sua argumentação: a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB). No fim de 2022, esse indicador estava em torno de 73,5%. Já no início de 2026, aproximou-se de 80%, segundo números do Banco Central. Embora economistas tenham visões diferentes sobre o nível ideal dessa relação, ela costuma ser observada de perto por investidores e analistas.
Ao longo do discurso, Guedes também adotou um tom mais reflexivo. Em determinado momento, comentou sobre o legado que, na visão dele, foi deixado para as próximas gerações após o período da pandemia. A comparação com o presente surgiu de forma quase natural, como quem revisita decisões passadas para justificar uma linha de pensamento.
Mas nem tudo foi economia. Questionado sobre um possível retorno à vida pública, o ex-ministro foi direto: não pretende voltar. A declaração veio acompanhada de um posicionamento firme, afastando especulações sobre participação em futuras gestões, independentemente de cenários eleitorais.
Nesse contexto, o nome do senador Flávio Bolsonaro apareceu como peça importante no debate político atual. Em manifestações recentes, ele indicou que, caso dispute e vença uma eleição presidencial, pretende manter diretrizes econômicas semelhantes às adotadas no passado. A ideia de continuidade, segundo ele, não exigiria grandes apresentações, já que o mercado já conheceria o caminho proposto.
O episódio mostra como a economia segue no centro das discussões políticas no Brasil.
Mais do que números, o debate envolve visões distintas sobre o papel do Estado, o controle de gastos e os caminhos para o crescimento sustentável.
No fim das contas, o que se vê é um cenário em que diferentes perspectivas convivem e disputam espaço. Para quem acompanha de perto, fica claro que as decisões tomadas hoje terão reflexos diretos nos próximos anos — seja no bolso do consumidor, no ambiente de negócios ou nas oportunidades que surgirem pelo caminho.



