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Michelle Bolsonaro lamenta eleição de petista ao TCU: “Triste dia”

A Câmara dos Deputados elegeu nesta terça-feira (14) o deputado federal Odair Cunha (PT-MG) para uma vaga no Tribunal de Contas da União, em votação que expôs novas rachaduras no campo da direita. Com 303 votos, o petista superou o candidato apoiado por parte do PL, Elmar Nascimento (União-BA), e assumirá uma das posições mais cobiçadas do controle externo do país. O resultado foi recebido com frustração por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que viam na disputa uma oportunidade de reforçar influência em uma instituição estratégica.

A principal derrotada da articulação foi a deputada Soraya Santos (PL-RJ), inicialmente cotada para a vaga e considerada forte concorrente por seu histórico de combatividade no Congresso. Aliada próxima de Michelle Bolsonaro, presidente nacional do PL Mulher, Soraya contava com o apoio inicial de setores do partido para representar uma candidatura feminina ao TCU. Sua retirada de última hora, porém, mudou o rumo da disputa e gerou mal-estar público dentro da legenda.

A decisão de Soraya Santos de abandonar a corrida foi resultado de intensa negociação conduzida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar atuou para concentrar os votos do PL e de aliados em Elmar Nascimento, na tentativa de barrar o avanço do PT. A manobra, costurada nas horas que antecederam a votação, visava unificar a oposição bolsonarista em torno de um único nome com maior viabilidade numérica, mas acabou gerando divergências internas.

Flávio Bolsonaro defendeu a estratégia como necessária para evitar a vitória petista, argumentando que a fragmentação de candidaturas enfraqueceria o bloco de direita. A articulação, no entanto, não contou com o endosso de Michelle Bolsonaro, que vinha defendendo abertamente a manutenção da candidatura feminina. A diferença de posicionamento entre os dois expoentes da família Bolsonaro ficou evidente e reacendeu especulações sobre desentendimentos no núcleo duro do PL.

Michelle Bolsonaro manifestou publicamente sua insatisfação por meio das redes sociais. Nos stories do Instagram, ela escreveu diretamente à deputada: “Soraya, o TCU seria muito melhor com vc lá. Triste dia!”. A mensagem, curta e direta, foi interpretada como crítica velada à decisão de Flávio e ao recuo de Soraya, reforçando a imagem de Michelle como defensora de pautas identitárias e de maior participação feminina nos espaços de poder.

O episódio expõe as tensões crescentes dentro do PL, partido que ainda busca se reestruturar após a derrota de 2022. Enquanto Flávio prioriza cálculos eleitorais e alianças pragmáticas para 2026, Michelle tem apostado em um discurso mais ideológico e de base, com ênfase em valores conservadores e no protagonismo de mulheres. A divergência sobre o TCU não é isolada e reflete disputas por liderança que podem definir o futuro do bolsonarismo.

Analistas políticos avaliam que o resultado da votação, embora favorável ao PT, também serviu para evidenciar fragilidades na coordenação da oposição. A eleição de Odair Cunha consolida a influência petista no Tribunal de Contas da União, enquanto o racha exposto entre Michelle e Flávio Bolsonaro alimenta o debate sobre a capacidade do campo conservador de apresentar uma frente unificada nas próximas eleições.

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