Chega notícia envolvendo o ator Stênio Garcia, de 93 anos

O ator Stênio Garcia, aos 93 anos, intensifica a batalha judicial por um apartamento de alto padrão em Ipanema, no Rio de Janeiro, que ele doou às filhas ainda na infância. A disputa, que envolve as herdeiras Cássia e Gaya Piovesan, além da ex-mulher Clarice Piovesan, ganhou novo capítulo nesta semana com o pedido da defesa do artista para acelerar o processo. O argumento é a idade avançada do ator, que teme não ver o desfecho do caso em vida. Garcia alega que o imóvel, embora transferido nominalmente para as filhas nos anos 1980, sempre esteve sob seu usufruto vitalício, garantindo-lhe o direito de uso e os rendimentos.
A doação foi feita com reserva de usufruto, uma cláusula que, segundo o ator, permitiria que ele morasse no local ou recebesse aluguéis durante toda a vida. O apartamento, avaliado em milhões de reais, teria sido alugado desde 2019 pelas filhas sem que qualquer valor fosse repassado a Stênio Garcia. O artista, que depende basicamente da aposentadoria do INSS, afirma estar em situação financeira precária e acusa as herdeiras de lucrar indevidamente com o bem. A ação pede a retomada imediata do imóvel e o pagamento de indenização que pode chegar a R$ 2,5 milhões.
Além da questão patrimonial, o processo inclui graves acusações de abandono afetivo. Stênio Garcia sustenta que as filhas o deixaram sem apoio emocional e financeiro nos últimos anos, o que teria agravado sua vulnerabilidade. A defesa do ator argumenta que a urgência do julgamento se justifica não apenas pela idade, mas pela necessidade de preservar direitos que poderiam se extinguir com eventual falecimento do artista antes da sentença final.
Do outro lado, uma das filhas manifestou publicamente o desejo de contar a “verdadeira história disso tudo”, sugerindo que a versão apresentada por Stênio Garcia não reflete todos os fatos. A família Piovesan tem se mantido reservada quanto aos detalhes, mas fontes próximas indicam que contestam tanto a interpretação do usufruto quanto as alegações de abandono. O clima de tensão familiar já dura meses e envolveu, inclusive, trocas de queixas-crime e registros de áudios que circularam em redes sociais.
O caso, que tramita na Justiça do Rio, acumula uma série de incidentes públicos. Oficial de justiça já esteve no imóvel, e relatos de desentendimentos entre o ator, sua atual esposa e as filhas ganharam repercussão na imprensa. Advogados de Stênio Garcia destacam que o objetivo não é apenas recuperar o patrimônio, mas garantir a dignidade do artista em seus anos finais. A lentidão da Justiça brasileira, porém, tem sido um obstáculo para a resolução rápida.
Especialistas em direito de família consultados sobre o tema apontam que casos envolvendo usufruto vitalício e doações entre pais e filhos costumam ser complexos, especialmente quando há desentendimentos emocionais. No processo, a defesa de Garcia insiste na validade da cláusula de usufruto registrada em cartório, enquanto as filhas questionam a administração do bem e os valores envolvidos. A expectativa é que novas audiências possam esclarecer os pontos controversos.
Enquanto a Justiça avança, o episódio expõe as feridas de uma família que, outrora unida, agora se divide em público. Stênio Garcia, ícone da teledramaturgia brasileira, vive o momento com visível sofrimento, conforme relatado por pessoas próximas. O desfecho da disputa, seja qual for, deverá definir não apenas o destino do apartamento em Ipanema, mas também o legado afetivo deixado pelo ator para as gerações seguintes.



