Após críticas ao papa Leão, Trump posta foto vestido de Jesus. Veja

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, protagonizou um confronto inédito com o papa Leão XIV, o primeiro pontífice americano da história, ao acusá-lo publicamente de fraqueza diante de desafios globais. Em postagens na Truth Social e declarações feitas no domingo, 12 de abril de 2026, Trump qualificou o líder da Igreja Católica como “fraco” no combate ao crime, “terrível” em política externa e “muito liberal”, sugerindo que o papa estaria cedendo à esquerda radical. O ataque ocorreu em meio a tensões diplomáticas crescentes entre Washington e o Vaticano.
As críticas de Trump centraram-se especialmente na postura do papa em relação ao Irã e ao conflito no Oriente Médio. O presidente americano reprovou o que considera uma posição branda diante do programa nuclear iraniano e acusou Leão XIV de não apoiar com firmeza as ações militares dos Estados Unidos e de Israel. Segundo Trump, sem sua presença na Casa Branca, o pontífice sequer teria alcançado o cargo máximo da Igreja, uma afirmação que gerou imediata repercussão internacional.
O papa Leão XIV, eleito em 2025 após a morte de Francisco, respondeu nesta segunda-feira, 13 de abril, durante viagem oficial à Argélia. Em declaração serena, o pontífice afirmou não ter “medo” da administração Trump e reiterou sua preferência por evitar debates políticos partidários. Baseando-se no Evangelho da paz, o líder católico defendeu uma abordagem centrada na diplomacia e na reconciliação, rejeitando o que chamou de “ilusão de onipotência” em conflitos armados.
O embate ganhou contornos ainda mais polêmicos quando Trump publicou, minutos após suas críticas iniciais, uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece representado como Jesus Cristo. Na ilustração, o presidente veste túnica branca e manto vermelho, impondo a mão sobre a cabeça de um homem doente em gesto de cura, com luz divina emanando dos dedos. Ao fundo, elementos patrióticos americanos, como a bandeira dos Estados Unidos, águias e aviões militares, compõem a cena.
A postagem da imagem provocou imediata onda de críticas nas redes sociais e na imprensa mundial, sendo interpretada por muitos como um ato de blasfêmia ou de autopromoção messiânica. Analistas religiosos e políticos destacaram o ineditismo de um chefe de Estado utilizar simbologia cristã para reforçar ataques a um papa, especialmente tratando-se do primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos.
Especialistas em relações entre Estado e Igreja veem o episódio como reflexo de divisões profundas que transcendem a política bilateral. O Vaticano tem defendido consistentemente o diálogo e o cessar-fogo no Oriente Médio, enquanto a administração Trump prioriza uma abordagem de força militar. O confronto expõe, assim, o choque entre duas visões de liderança global: uma ancorada na fé e na paz, outra na assertividade e na soberania nacional.
O incidente marca um capítulo raro na história das relações entre a Casa Branca e o Vaticano, que tradicionalmente mantinham canais diplomáticos discretos mesmo em momentos de discordância. Enquanto o mundo observa os desdobramentos, o confronto entre Trump e Leão XIV ilustra como questões de fé, poder e geopolítica continuam a se entrelaçar de forma imprevisível no cenário internacional contemporâneo.



