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Léo Dias recebeu valor exorbitante do Banco Master

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram a existência de repasses milionários realizados pelo Banco Master para o jornalista Leo Dias e para empresas diretamente associadas a ele ao longo dos anos de 2024 e 2025. Os documentos internos do órgão de inteligência financeira, obtidos com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo, expõem um volume significativo de recursos transferidos que totalizam mais de R$ 11 milhões, chamando a atenção das autoridades reguladoras devido ao elevado montante e ao padrão repetitivo das operações identificadas.

A principal empresa do comunicador, denominada Leo Dias Comunicação e Jornalismo, foi destinatária de R$ 9,9 milhões por meio de seis transferências distintas efetuadas no intervalo entre fevereiro de 2024 e maio de 2025. Esses créditos foram realizados de forma concentrada, o que resultou em um aumento expressivo do faturamento da firma em um curto espaço de tempo. Para especialistas em compliance financeiro, tal concentração de recursos em uma empresa de comunicação e produção de conteúdo levanta questionamentos sobre a proporcionalidade entre o volume recebido e a capacidade operacional declarada da atividade jornalística.

Paralelamente aos repasses diretos, mais R$ 2 milhões foram direcionados por intermédio da LD Produções, uma empresa ligada ao jornalista Leo Dias. De acordo com os relatórios do Coaf, o Banco Master aparecia como a principal fonte de recursos dessa companhia durante o período analisado, estabelecendo assim um fluxo indireto que ampliou consideravelmente o total de valores originados do mesmo conglomerado financeiro. Essa estrutura de movimentações em camadas distintas contribuiu para que o caso fosse classificado como merecedor de maior escrutínio por parte dos órgãos de controle.

Considerando todas as empresas vinculadas ao profissional, o montante geral movimentado no período alcançou aproximadamente R$ 34,9 milhões. Os recursos provenientes do Banco Master representaram cerca de 28% desse total, uma fatia expressiva que, segundo os analistas do Coaf, destoava de forma relevante do histórico financeiro previamente declarado pelas empresas. Tal desproporção foi um dos fatores determinantes para o registro das operações como atípicas no sistema de monitoramento de atividades financeiras suspeitas.

O Coaf ainda destacou características específicas das transações que reforçaram a percepção de irregularidade potencial, como a realização de débitos quase imediatos após os créditos recebidos e o fato de as movimentações superarem visivelmente a capacidade econômica aparente das empresas envolvidas. Essas particularidades levaram o órgão a incluir os repasses em sua base de alertas, integrando-os ao radar de vigilância contínua voltada à prevenção de lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades ilícitas, embora nenhuma acusação criminal tenha sido formalizada até o momento.

Em resposta às informações divulgadas, Leo Dias reafirmou categoricamente a ausência de qualquer tipo de irregularidade nos recebimentos. O jornalista sustentou que todos os pagamentos derivam de contratos legítimos e transparentes de publicidade e produção de conteúdo firmados com o Will Bank, instituição digital que faz parte do grupo controlado pelo Banco Master. Segundo ele, os valores correspondem a serviços efetivamente prestados, incluindo a criação de campanhas promocionais, produção de materiais jornalísticos e ações de comunicação estratégica, devidamente documentados e contabilizados conforme as normas vigentes.

Embora não existam acusações formais contra o comunicador ou suas empresas até esta data, os repasses milionários ocorrem em um contexto mais amplo de investigações que envolvem o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. As autoridades competentes seguem analisando o cenário completo das operações, buscando determinar se houve ou não eventual violação das regras de prevenção à lavagem de dinheiro, ao financiamento ilícito ou a outras normas do sistema financeiro nacional. O caso continua a gerar debates no meio jornalístico e político sobre os limites éticos das relações comerciais entre instituições financeiras e profissionais da comunicação.

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