O que esconderam? Certidão de óbito do “Sicário” de Vorcaro revela detalhes inesperados

A certidão de óbito de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como homem de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro, trouxe um elemento inesperado que adiciona ainda mais mistério ao caso. Embora a Polícia Federal (PF) tenha informado que a morte teria ocorrido após uma tentativa de suicídio dentro da prisão, o documento oficial não apresenta a causa do falecimento, levantando questionamentos sobre as circunstâncias que cercam o episódio.
Obtida com exclusividade pela coluna, a certidão emitida no dia 8 de abril registra que a causa da morte está “aguardando exames”. Esse tipo de informação, apesar de possível em situações específicas, não é considerado comum por especialistas da área cartorial. Em geral, o documento costuma indicar ao menos uma causa preliminar, mesmo que posteriormente seja atualizada após a conclusão de laudos periciais mais detalhados.
De acordo com o registro, Mourão morreu no dia 6 de março, enquanto o óbito foi oficialmente registrado no dia seguinte, 7 de março. Ele era descrito como uma espécie de “faz-tudo” de Vorcaro, com atuação em diversas demandas atribuídas ao empresário. A ausência de informações completas no documento, especialmente em um caso de alta repercussão, contribui para ampliar as dúvidas já existentes.
Cartórios consultados apontam que certidões sem a causa da morte podem ser emitidas em situações excepcionais. Isso costuma ocorrer quando a família deseja agilizar o sepultamento, mas ainda depende de exames para confirmar o motivo exato do falecimento. Mesmo assim, a prática não é rotineira e tende a chamar atenção, principalmente quando envolve investigações em andamento.
No caso específico de mortes classificadas como suicídio, é comum que a certidão traga termos técnicos como “lesões auto-infligidas”. No entanto, essa informação não aparece no documento de Mourão. Segundo a versão divulgada pela Polícia Federal, ele teria tentado tirar a própria vida enquanto estava preso, sendo posteriormente encaminhado a um hospital. A morte, nesse cenário, teria ocorrido após complicações decorrentes da tentativa.
A defesa do “Sicário” apresentou uma versão semelhante no dia do falecimento, afirmando que a causa teria sido morte encefálica provocada pela falta de oxigenação no cérebro. Os advogados também informaram que o corpo seria encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos necessários. Ainda assim, a ausência dessa conclusão na certidão reforça o clima de incerteza.
Outro ponto que chama atenção é a falta de informações sobre o local de sepultamento no documento oficial. Dados extraoficiais indicam que Mourão foi enterrado no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte, mas essa informação não consta na certidão analisada. Esse tipo de omissão também não é comum em registros desse tipo, o que amplia as inconsistências percebidas.
O caso ganhou novos contornos após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que negou o compartilhamento de informações sobre a morte com a CPI do Crime Organizado do Senado. Segundo o magistrado, ainda existem diligências em andamento, o que impede a divulgação de dados neste momento. Ele ressaltou que a liberação poderá ser reavaliada após a conclusão das investigações.
Com isso, o episódio segue cercado de dúvidas e em fase de apuração. A combinação de informações divergentes, lacunas em documentos oficiais e restrições no acesso aos dados contribui para manter o caso sob atenção. Até que os exames sejam concluídos e as investigações avancem, a morte do chamado “Sicário” permanece envolta em questionamentos que ainda aguardam respostas mais claras.



