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Tripulação da Artemis II enfrenta apagão de comunicação no espaço; entenda

A missão Artemis II atingiu um dos momentos mais simbólicos da exploração espacial moderna ao levar a cápsula Orion ao lado oculto da Lua, região que não pode ser vista da Terra. A manobra começou às 19h44 desta segunda-feira (6) e marcou dois extremos históricos: a maior aproximação da nave com o satélite natural e, ao mesmo tempo, a maior distância já alcançada por humanos em relação ao planeta Terra.

Durante o trajeto por trás da Lua, a comunicação entre a espaçonave e a NASA foi interrompida por cerca de 40 minutos. O contato foi restabelecido às 20h24, conforme informou o centro de controle da missão. Esse “apagão” já era esperado e ocorre porque o próprio corpo lunar bloqueia os sinais de rádio essenciais para a conexão com a Rede de Espaço Profundo.

Esse sistema de comunicação é composto por três grandes antenas distribuídas estrategicamente pelo planeta — localizadas na Califórnia, Austrália e Espanha — e funciona como a principal ponte entre missões espaciais e a Terra. Situações semelhantes já haviam ocorrido durante as históricas missões Apollo, reforçando que, mesmo décadas depois, certos desafios técnicos permanecem.

Momentos antes da perda de contato, o astronauta Victor Glover enviou uma mensagem que resumiu o peso histórico da missão. Ele destacou o privilégio de participar da jornada e ressaltou o objetivo maior da NASA: explorar o desconhecido, impulsionar a inovação e inspirar o mundo por meio da descoberta. Foi também um marco simbólico — pela primeira vez em mais de meio século, humanos ficaram completamente incomunicáveis com a Terra durante uma missão tripulada.

Ao cruzar o lado oculto, a Orion chegou a cerca de 6.550 quilômetros da superfície lunar. Mesmo sendo uma região permanentemente voltada para longe da Terra, aproximadamente 21% dessa face estava iluminada no momento da passagem, permitindo à tripulação uma visão rara e privilegiada.

Antes do isolamento temporário, os astronautas testemunharam fenômenos impressionantes do espaço profundo. Entre eles, o chamado “pôr da Terra”, quando o planeta desaparece atrás da Lua, e o “nascer da Terra”, quando ele reaparece no horizonte lunar. Essas cenas reforçam a dimensão única da experiência vivida pela equipe, que observa nosso planeta sob uma perspectiva completamente diferente.

Outro destaque da missão foi o recorde estabelecido ainda na tarde de segunda-feira. Às 14h57, a Artemis II ultrapassou a marca histórica da Apollo 13, de 1970, tornando-se a missão tripulada que mais se afastou da Terra. Os quatro astronautas a bordo atingiram a impressionante distância de 406.777 quilômetros do planeta.

A missão também se destaca pelos feitos inéditos. Pela primeira vez, seres humanos puderam observar diretamente o lado escuro da Lua a olho nu. A tripulação é composta por quatro integrantes — três norte-americanos e um canadense — incluindo uma mulher, reforçando o caráter internacional e diverso do programa.

Com esses avanços, a Artemis II não apenas revive o espírito das missões lunares do passado, mas também abre caminho para uma nova era de exploração espacial. A iniciativa representa um passo estratégico rumo ao retorno sustentável à Lua e, futuramente, às missões tripuladas a Marte.

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