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Funcionária relata episódio de racismo em seu primeiro dia de trabalho, revelando o caso anos depois

Noemi Ferrari, em seu primeiro dia de trabalho em uma farmácia, enfrentou uma situação de racismo. Durante sua apresentação, uma colega de trabalho, que filmava o momento para compartilhar em um grupo da empresa, proferiu comentários discriminatórios. “Essa daqui é a Noemi, nossa nova colaboradora. Fala um oi, querida. Tá escurecendo a nossa loja? Tá escurecendo. Acabou a cota, tá? Negrinho não entra mais”, disse a funcionária. O incidente, ocorrido em 2018, ganhou destaque recentemente após a vítima divulgar o vídeo.

O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região condenou a rede Raia Drogasil a pagar R$ 56 mil de indenização a uma ex-funcionária, em um caso que ocorreu em uma farmácia localizada em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. A decisão foi proferida no ano passado.

Noemi compartilhou um vídeo em seu perfil no TikTok na quarta-feira, dia 10, que já acumula mais de 490 mil curtidas e 44,5 mil compartilhamentos desde sua publicação.

Em uma postagem, o autor afirmou: “Sim, vocês estão vendo e ouvindo isso. Fui vítima não apenas de racismo e não pretendo permanecer em silêncio. Racismo e preconceito não são opiniões, mas crimes.

Em suas redes sociais, Noemi informou que utilizou o montante da indenização recebida para dar entrada na compra de um apartamento.

Nesta quinta-feira, 11, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) divulgou uma nota em que condena de forma veemente quaisquer manifestações de racismo ou preconceito no ambiente de trabalho farmacêutico.

Sete anos após o ocorrido, a vítima divulgou em suas redes sociais um vídeo registrado na época. Em nota publicada nas redes sociais, o Conselho reiterou que o racismo é um crime que deve ser denunciado e afirmou que continuará a apoiar iniciativas que protejam trabalhadores e trabalhadoras de qualquer forma de discriminação.

Posição da Raia Drogasil sobre questões recentes.

Em comunicado ao portal Terra, a empresa expressou seu profundo pesar pelo ocorrido e reafirmou seu compromisso com o respeito, a diversidade e a inclusão. Afirmou ainda que “nossa empresa não compactua com nenhum tipo de discriminação. Diversidade e respeito são valores primordiais”.

A empresa tem realizado investimentos contínuos em desenvolvimento de carreiras e em iniciativas voltadas para promoção da equidade racial. Ao final de 2024, a companhia contava com mais de 34 mil funcionários negros e pardos, além de 50% das posições de liderança ocupadas por pessoas negras, resultado de programas estruturados de inclusão e valorização. A organização reafirma seu compromisso de seguir implementando ações efetivas para assegurar ambientes de trabalho diversos e inclusivos, contribuindo assim para uma sociedade mais justa e igualitária.

O racismo é considerado um crime no Brasil. É fundamental conhecer os procedimentos para realizar uma denúncia.

O racismo é considerado crime, com penas de reclusão estipuladas pela legislação vigente. Ao testemunhar qualquer ato de racismo, é fundamental realizar a denúncia. Isso pode ser feito por meio do telefone, ligando para 190 em casos de flagrante ou 100 a qualquer momento; pessoalmente ou pela internet, por meio da abertura de um boletim de ocorrência em qualquer delegacia ou nas delegacias especializadas. Para mais informações sobre como proceder com a denúncia, consulte as orientações disponíveis.

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