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Morre influenciadora ‘Vó da pomba’, aos 96 anos

A despedida de Amalia Thereza, conhecida carinhosamente como “Vó da Pomba”, comoveu milhares de pessoas neste fim de semana. A notícia de sua morte, anunciada no sábado (28) por meio de seu perfil no Instagram, rapidamente se espalhou pelas redes sociais, reunindo mensagens de carinho, gratidão e saudade de seguidores que acompanhavam sua rotina há anos.

No comunicado publicado pela família, o tom foi de profunda emoção. Em poucas linhas, ficou evidente o impacto que Amalia teve não apenas dentro de casa, mas também na vida de quem a conhecia apenas pela tela do celular. A imagem escolhida para a despedida — um sorriso simples e acolhedor — sintetizava bem quem ela era: alguém que transmitia leveza mesmo diante das dificuldades.

Nos dias que antecederam sua partida, os familiares compartilharam momentos íntimos, mostrando a união ao redor da idosa. Não eram publicações planejadas ou produzidas; pelo contrário, tinham um ar quase silencioso, como quem registra algo que sabe ser único. Em uma das mensagens, a família descreveu aquele período como um dos mais difíceis — e, ao mesmo tempo, mais significativos da vida.

Amalia convivia com Alzheimer, condição que foi abordada com sensibilidade ao longo de sua presença digital. Diferente de muitos perfis que buscam apenas entretenimento, o espaço criado ao redor dela também se tornou uma janela para a realidade de milhares de famílias que enfrentam a mesma situação. Havia humor, sim — vídeos leves, espontâneos —, mas também havia verdade.

Esse equilíbrio talvez explique o alcance impressionante que ela conquistou: mais de 1,1 milhão de seguidores. Em um ambiente frequentemente dominado por tendências passageiras, a “Vó da Pomba” se destacou pela autenticidade. Não havia filtros excessivos nem roteiros elaborados. Era a vida acontecendo, com suas limitações e suas pequenas alegrias.

É curioso perceber como figuras assim rompem a lógica tradicional da fama. Amalia não surgiu de um programa de televisão nem de uma campanha publicitária. Sua relevância nasceu do cotidiano, de gestos simples, de uma relação familiar que decidiu compartilhar o que vivia — sem esconder as dificuldades, mas também sem perder a ternura.

Nos últimos meses, o tema do envelhecimento e da saúde mental de idosos tem ganhado mais espaço no debate público, inclusive no Brasil. Casos como o de Amalia ajudam a humanizar essas discussões. Ao acompanhar sua rotina, muitas pessoas passaram a compreender melhor os desafios do Alzheimer, algo que estatísticas frias não conseguem transmitir.

A repercussão de sua partida mostra que, mesmo em um cenário digital acelerado, ainda há espaço para conexões verdadeiras. Nos comentários das publicações, seguidores relatam lembranças, agradecimentos e até mudanças pessoais inspiradas por ela. É o tipo de legado que não se mede em números, embora os números ajudem a dimensionar o alcance.

O sepultamento, conforme informado pela família, foi aberto àqueles que desejavam prestar uma última homenagem. E, de certa forma, isso já vinha acontecendo desde o anúncio: cada mensagem, cada lembrança compartilhada, foi uma forma de despedida.

No fim, fica a sensação de que Amalia cumpriu um papel raro nas redes sociais. Em meio a conteúdos rápidos e descartáveis, ela ofereceu algo duradouro: presença, afeto e verdade. E talvez seja justamente por isso que sua ausência agora seja sentida de maneira tão profunda.

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