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Datafolha mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro entre eleitores de centro

A mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada no fim da noite de sexta-feira (27), trouxe um retrato interessante — e, de certa forma, já esperado — do cenário político brasileiro. Em meio a um país ainda bastante dividido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com vantagem entre os eleitores que se consideram de centro, um grupo que costuma ser decisivo em eleições apertadas.

De acordo com o levantamento, Lula lidera esse segmento com 31% das intenções de voto em um dos cenários de primeiro turno. Logo atrás surge o senador Flávio Bolsonaro, com 17%. Mais distantes aparecem Romeu Zema, com 9%, e Ronaldo Caiado, que registra 6%. A margem de erro para esse recorte específico é de cinco pontos percentuais, o que pede cautela na leitura, mas ainda assim indica uma vantagem consistente do atual presidente.

Esse dado chama atenção porque o eleitorado de centro, historicamente, tende a oscilar conforme o momento político e econômico. Não é um grupo totalmente fiel, mas também não costuma aderir a posições mais radicais. Talvez por isso, o desempenho de Lula nesse campo seja visto como estratégico, principalmente olhando para uma disputa mais ampla.

Quando o cenário passa para um eventual segundo turno — considerando apenas os eleitores de centro — o quadro fica mais equilibrado. Lula aparece com 41% das intenções, enquanto Flávio Bolsonaro soma 32%. Apesar da diferença numérica, o resultado é considerado empate técnico por causa da margem de erro. Um ponto curioso aqui é o número elevado de votos brancos, nulos e indecisos, que juntos chegam a 27%. Isso mostra que ainda existe espaço para mudança até o momento decisivo.

Ampliando o olhar para o total da amostra, a pesquisa mantém a tendência: Lula segue à frente no primeiro turno, com uma vantagem que varia entre cinco e seis pontos percentuais sobre o senador. Já no segundo turno, o cenário fica ainda mais apertado, com 46% para o presidente e 43% para Flávio. Na prática, uma disputa aberta.

Outro dado que merece atenção é o comportamento dos eleitores que não se identificam nem com o petismo nem com o bolsonarismo. Esse grupo, que vem crescendo nos últimos anos, mostra certa inclinação a favor de Lula no primeiro turno, com diferença que varia entre sete e dez pontos percentuais. Ainda assim, tudo dentro da margem de erro. No segundo turno, novamente aparece um empate técnico: 40% para Lula e 35% para Flávio.

Mas talvez o ponto mais revelador da pesquisa esteja nos índices de rejeição. Entre os eleitores de centro, 51% afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum, enquanto 45% dizem o mesmo sobre Lula. Ou seja, ambos enfrentam resistência significativa — o que pode pesar bastante em uma eventual reta final de campanha.

No fundo, o levantamento reforça uma percepção que já circula nas ruas, nas redes sociais e até nas conversas de bar: o Brasil segue dividido. De um lado, cerca de 28% dos eleitores se identificam com o bolsonarismo. Do outro, uma parcela praticamente igual se alinha ao petismo. E, no meio disso tudo, existe um grupo grande — mais de um terço do eleitorado — que não se vê representado por nenhum dos dois polos.

A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 5 de março de 2026, ouvindo 2.004 pessoas em 137 municípios. Registrada no Tribunal Superior Eleitoral, ela não aponta um vencedor definitivo, mas deixa claro que o caminho até a eleição ainda reserva muitos capítulos. E, como sempre acontece por aqui, tudo pode mudar.

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