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Polícia aponta ao menos 10 vítimas em caso envolvendo piloto da Latam

A Polícia Civil de São Paulo afirmou que ao menos dez menores de idade foram identificados como vítimas em uma investigação que envolve um piloto da Latam suspeito de chefiar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes. O caso veio a público após a prisão de Sérgio Antonio Lopes, de 60 anos, detido na manhã desta segunda-feira no Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, no momento em que se preparava para operar um voo comercial.

De acordo com os investigadores, as vítimas tinham entre 10 e 14 anos à época dos crimes. As apurações indicam que a atuação do grupo ocorria de forma estruturada e contínua, com indícios de que os abusos vinham acontecendo havia pelo menos oito anos. A polícia ressalta que o número de vítimas pode ser maior, já que as diligências ainda estão em andamento e novas denúncias não são descartadas.

As informações foram confirmadas durante entrevista coletiva concedida pela Polícia Civil, responsável pela chamada “Operação Apertem os Cintos”. A ação tem como objetivo apurar crimes como estupro de vulnerável, exploração sexual infantil, aliciamento de menores e favorecimento da prostituição de crianças e adolescentes. Além do piloto, outras quatro pessoas são investigadas por envolvimento direto no esquema.

Durante a operação, além de Sérgio Antonio Lopes, duas mulheres também foram presas: uma mãe e uma avó das vítimas. Segundo a polícia, elas são suspeitas de participar ativamente do esquema, incluindo o armazenamento e a comercialização de imagens ilícitas envolvendo as crianças. O material apreendido será analisado para aprofundar as investigações e identificar outros possíveis envolvidos.

O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, classificou o caso como extremamente grave e destacou a importância da operação. Segundo ele, a atuação das autoridades permitiu retirar de circulação um grupo que praticava crimes considerados estarrecedores. O delegado afirmou ainda que a prisão representa apenas uma etapa do trabalho investigativo, que segue em curso para esclarecer toda a dimensão do esquema.

A prisão do piloto ocorreu dentro do próprio aeroporto. Segundo apuração policial, a aeronave já estava pronta para decolar quando os agentes confirmaram a existência de um mandado judicial. O suspeito foi retirado da cabine e detido ainda na área operacional, sem que houvesse impacto na segurança do voo, que seguiu normalmente após a substituição da tripulação.

As investigações, conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), apontam que o grupo operava com divisão de tarefas e atuação coordenada. Há indícios de que pagamentos eram realizados em troca de conteúdo ilícito, além de relatos de encontros presenciais viabilizados com uso de documentos falsos para burlar fiscalizações.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os mandados judiciais foram expedidos com base em provas materiais, fortes indícios de autoria, na gravidade das condutas investigadas e no risco de continuidade dos crimes. A possibilidade de destruição ou ocultação de provas digitais também foi considerada determinante para a deflagração da operação policial.

Em nota oficial, a Latam Airlines Brasil informou que está ciente do ocorrido e que abriu uma apuração interna para acompanhar o caso. A companhia afirmou ainda que repudia qualquer prática criminosa, reforçou o compromisso com elevados padrões de conduta e declarou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A defesa dos suspeitos não havia sido localizada até a última atualização do caso.

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