Vídeo do velório de adolescente morto por piloto mostra pedido

A tarde deste domingo (8) foi marcada por silêncio, lágrimas contidas e muitos abraços no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, em Brasília. Ali aconteceu o sepultamento de Rodrigo Castanheira, de apenas 16 anos, um adolescente cuja história foi interrompida cedo demais e deixou um vazio difícil de explicar. A despedida reuniu cerca de 300 pessoas, entre familiares, amigos e moradores sensibilizados, todos unidos pelo mesmo sentimento: a dor da perda e o desejo por justiça.
Desde as primeiras horas, o clima era de profunda comoção. Pessoas chegavam aos poucos, algumas em silêncio, outras trocando palavras baixas, como se qualquer som mais alto fosse desrespeitoso diante do momento. Parentes vindos de Goiânia e do Rio de Janeiro fizeram questão de estar presentes, mesmo após longas viagens, mostrando o quanto Rodrigo era querido além das fronteiras do Distrito Federal. A presença da vice-governadora Celina Leão também chamou atenção e reforçou a repercussão do caso.
O velório, realizado anteriormente na Igreja Batista Capital, no Setor de Clubes Sul, já havia sido marcado por fortes emoções. Amigos próximos relembravam histórias simples, típicas da adolescência: risadas, jogos de futebol, planos que pareciam pequenos, mas que carregavam grandes sonhos. Era comum ouvir alguém dizer que Rodrigo tinha um jeito leve de viver, daqueles que fazem falta no dia a dia sem fazer barulho.
No trajeto até o cemitério, o corpo do adolescente foi levado em cortejo por um caminhão do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. O gesto, carregado de simbolismo, comoveu quem acompanhava o percurso. Ao chegar ao local do sepultamento, aplausos espontâneos surgiram entre os presentes, como uma última forma de carinho e reconhecimento.
Durante a cerimônia, cânticos religiosos ecoaram entre as árvores do cemitério, trazendo um pouco de conforto em meio à dor. Em um momento especialmente emocionante, balões foram soltos no céu, representando despedida, fé e esperança. Muitos choravam sem tentar esconder, outros apenas observavam, com o olhar perdido, tentando entender como lidar com uma perda tão precoce.
A paixão de Rodrigo pelo futebol também ganhou destaque na despedida. Amigos e familiares assinaram uma bola, transformando o objeto em um símbolo de alegria, união e sonhos que ficaram pelo caminho. Não era apenas uma bola: era a lembrança de tardes jogando, de risadas após um gol, de planos que agora vivem apenas na memória de quem ficou.
A carga emocional foi tão intensa que, em determinado momento, a esposa do avô de Rodrigo passou mal e precisou de atendimento médico. O episódio reforçou o impacto que a despedida teve sobre todos, especialmente sobre a família, ainda em estado de choque.
O sepultamento de Rodrigo Castanheira não foi apenas um adeus. Foi também um pedido coletivo por respostas, respeito e reflexão. Entre lágrimas e aplausos, ficou a sensação de que a memória do jovem seguirá viva nas histórias contadas, nos gestos simples e no carinho de quem teve a chance de conviver com ele.



