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Adolescente desaparecido é encontrado enterrado em PE

O silêncio da zona rural de Barra de Guabiraba, no Agreste de Pernambuco, foi quebrado por uma descoberta que abalou a comunidade local. O corpo do adolescente Antônio Pedro da Silva Neto, de apenas 14 anos, foi encontrado enterrado em uma cova rasa em uma propriedade na área conhecida como Matinha. O jovem estava desaparecido desde o dia 26 de janeiro, e a confirmação do desfecho trouxe dor, indignação e muitas perguntas sem resposta.

A localização do corpo aconteceu na sexta-feira (6), após dias de buscas feitas principalmente pela própria família. Foram parentes que, ao percorrerem a região, identificaram sinais de que algo estava errado no terreno e decidiram acionar a polícia. O local, afastado do centro urbano, é conhecido por estradas de terra, vegetação fechada e poucas residências, o que dificultou as buscas iniciais.

De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, o corpo apresentava avançado estado de decomposição, indicando que o adolescente já estava no local há vários dias. O caso foi registrado como homicídio consumado e passou a ser investigado pela 102ª Delegacia de Polícia de Barra de Guabiraba. Equipes especializadas foram mobilizadas para coletar informações, ouvir testemunhas e tentar reconstruir os últimos passos de Antônio Pedro.

Enquanto a investigação avança, detalhes da vida do adolescente começaram a vir à tona. O Conselho Tutelar informou que Antônio vinha sendo acompanhado há cerca de dois anos pela Rede de Proteção Municipal. Durante esse período, ele recebeu encaminhamentos à Vara da Infância e da Juventude, principalmente por questões relacionadas ao uso de drogas. O acompanhamento, segundo o órgão, buscava oferecer suporte e alternativas para afastá-lo de situações de risco.

Esse ponto, inclusive, passou a integrar uma das linhas de investigação. A polícia não descarta a possibilidade de que o crime tenha relação com conflitos ligados ao tráfico de drogas na região. No entanto, até o momento, não há confirmação sobre a motivação nem sobre quem possa estar envolvido. As autoridades reforçam que qualquer conclusão só será divulgada após a análise cuidadosa das provas.

O corpo de Antônio Pedro foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), no Recife, onde passou por exames complementares que devem ajudar a esclarecer circunstâncias importantes do caso. Os laudos técnicos são aguardados com expectativa e devem contribuir para o avanço das investigações nos próximos dias.

A morte do adolescente reacende um debate antigo e ainda muito atual: a vulnerabilidade de jovens em contextos sociais frágeis e a dificuldade do poder público em interromper ciclos de risco. Em cidades pequenas, como Barra de Guabiraba, onde todos se conhecem, a sensação de insegurança costuma ser ainda mais intensa quando um caso assim acontece.

Nas ruas e nas redes sociais, moradores expressam solidariedade à família e cobram respostas. Mais do que números ou estatísticas, a história de Antônio Pedro representa uma vida interrompida cedo demais e um alerta para a importância de políticas públicas efetivas de proteção à infância e à adolescência. Enquanto isso, a cidade aguarda, em silêncio e apreensão, que a verdade venha à tona.

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