Notícias

Faculdade toma atitude após professora ser morta dentro de sala de aula

A morte da professora Juliana Santiago abalou profundamente a comunidade acadêmica de Porto Velho e reacendeu debates delicados sobre segurança, relações interpessoais e o ambiente universitário. O caso ocorreu na última sexta-feira, dentro do Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca), instituição que decidiu suspender as atividades até esta segunda-feira (09) como forma de luto, respeito e organização interna diante do ocorrido.

Juliana tinha 41 anos e era uma profissional reconhecida. Além de docente de Direito Penal, atuava como escrivã da Polícia Civil, acumulando uma trajetória marcada por dedicação, disciplina e compromisso com a formação de novos profissionais. Para alunos e colegas, ela era conhecida pela postura firme em sala de aula, mas também pela disposição em orientar e dialogar. Sua ausência deixou um vazio difícil de explicar em poucas palavras.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Fimca se solidarizou com familiares, amigos e alunos, além de se colocar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. O texto destacou o legado deixado por Juliana e reforçou a importância da educação como instrumento de transformação social. A mensagem teve grande repercussão e foi compartilhada por estudantes, professores e instituições de ensino de todo o estado.

O principal suspeito do crime é João Cândido, estudante do 5º período de Direito e aluno da professora. De acordo com relatos iniciais, ele teria aguardado o momento em que Juliana estivesse sozinha para iniciar uma discussão. Durante esse confronto, a docente acabou sendo ferida no tórax e no braço, não resistindo. O episódio gerou comoção imediata e levou à interrupção das aulas presenciais como medida preventiva e simbólica.

Em depoimento à polícia, João afirmou que o ato teria sido motivado por vingança. Segundo ele, houve um relacionamento de cerca de três meses entre os dois, encerrado após Juliana retomar contato com o ex-marido. O suspeito alegou ter sofrido um abalo emocional com o distanciamento. Essa versão, no entanto, ainda está sob análise e não foi confirmada pelas autoridades nem pela família da vítima.

Outro ponto que chamou atenção no depoimento foi a afirmação de que o objeto utilizado teria sido um presente dado por Juliana um dia antes do crime, dentro de uma vasilha com doces. Essa informação também está sendo apurada e, até o momento, não há comprovação que sustente a narrativa apresentada pelo suspeito. A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e reunindo elementos para esclarecer todos os detalhes do caso.

Enquanto as investigações avançam, o clima na instituição é de consternação. Muitos alunos relataram dificuldade para assimilar o ocorrido, especialmente por se tratar de um ambiente que deveria representar segurança, aprendizado e crescimento. Professores e servidores também manifestaram pesar, destacando a necessidade de acolhimento psicológico e diálogo aberto.

O caso de Juliana Santiago não é apenas uma notícia policial. Ele provoca reflexões mais amplas sobre limites, responsabilidade emocional e a importância de políticas de prevenção dentro de espaços educacionais. Em meio à dor e às perguntas sem resposta, fica o reconhecimento de uma profissional que dedicou a vida ao ensino e ao serviço público, e cuja história seguirá presente na memória de quem teve o privilégio de conviver com ela.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: