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Lula diz que acabará com políticos que usam o nome de Deus: “Não ficará pedra sobre pedra”

Durante um evento que misturou política, fé e saúde pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um discurso que rapidamente ganhou repercussão nacional. No último sábado (7), em Salvador, durante o lançamento de ações de fortalecimento do SUS dentro do chamado PAC da Saúde, Lula foi direto ao ponto ao criticar políticos que, segundo ele, usam o nome de Deus para justificar discursos de violência e intolerância.

O cenário não foi escolhido ao acaso. O evento marcou o anúncio de um investimento robusto de R$ 815 milhões no Sistema Único de Saúde da Bahia, com foco em ampliar o acesso a exames, consultas especializadas e transporte de pacientes. Ao lado de autoridades locais e de um pastor convidado, Lula fez questão de trazer uma reflexão que ultrapassou os números e entrou no campo simbólico.

Em um tom firme, mas calculado, o presidente afirmou que pretende “desmascarar” figuras públicas que utilizam a fé como ferramenta política para disseminar mentiras ou estimular práticas que vão contra princípios básicos de convivência e respeito. Ele citou o versículo de Mateus 5:5 — “bem-aventurados os mansos de coração, porque herdarão a terra” — para reforçar que o uso do nome de Deus deveria estar associado à paz, e não ao confronto.

A frase “não ficará pedra sobre pedra”, usada por Lula, também chamou atenção. A expressão tem origem bíblica e remete a uma passagem em que Jesus profetiza a destruição do Templo de Jerusalém. No discurso presidencial, a metáfora foi usada para indicar que falsas narrativas, especialmente quando travestidas de discurso religioso, seriam desmontadas uma a uma. A fala repercutiu tanto entre apoiadores quanto entre críticos, reacendendo o debate sobre os limites entre religião e política no Brasil atual.

Mas o evento não se resumiu às declarações mais duras. Houve, também, anúncios práticos e bem concretos. O PAC da Saúde prevê a compra de cerca de 2,1 mil veículos para o SUS, incluindo 700 micro-ônibus, 700 vans e 700 ambulâncias. Esses veículos devem começar a operar até 2026 e terão papel fundamental no transporte de pacientes para atendimentos especializados, com prioridade para pessoas em tratamento contra o câncer.

Além disso, o governo federal assinou contratos para a aquisição de 80 novos tomógrafos e anunciou a entrega de mais de mil conjuntos de equipamentos médicos. A ideia é ampliar a capacidade de realização de cirurgias, exames e atendimentos na atenção básica, especialmente em regiões que historicamente sofrem com falta de estrutura.

Essas medidas fazem parte do programa “Agora Tem Especialistas”, que vem sendo divulgado pelo Ministério da Saúde como uma resposta direta às longas filas do SUS. A promessa é reduzir o tempo de espera por consultas e exames, algo que segue como uma das principais reclamações da população.

No fim das contas, o discurso de Lula uniu dois eixos que raramente caminham juntos de forma tão explícita: uma crítica moral ao uso político da fé e um pacote concreto de investimentos na saúde pública. Em um país onde religião, política e serviços públicos frequentemente se cruzam, a mensagem deixou claro que, ao menos no discurso presidencial, a fé não deve servir como escudo para práticas que dividem, mas como inspiração para políticas que cuidam de quem mais precisa.

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