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A Justiça de São Paulo determinou que Valdemiro Santiago deve pagar a dívida dentro do prazo estipulado

A Justiça de São Paulo deu um novo encaminhamento a um processo que se arrasta há mais de uma década e que envolve o líder religioso Valdemiro Santiago e o repórter do SBT Everton Di Souza, conhecido nacionalmente como Fofoquito. A decisão mais recente estabeleceu um prazo de 15 dias para que Valdemiro manifeste interesse em firmar um acordo e regularizar uma dívida trabalhista que já ultrapassa R$ 900 mil. Com a aplicação de juros e correção monetária, o valor pode passar da marca de R$ 1 milhão, o que reacende o interesse público sobre um caso antigo, mas ainda sem desfecho definitivo.

O despacho foi proferido no âmbito de um incidente de desconsideração da personalidade jurídica, mecanismo utilizado quando a Justiça avalia a possibilidade de ampliar a responsabilização pelo pagamento de uma dívida. Na prática, isso significa que, caso não haja acordo dentro do prazo estipulado, o débito poderá ser cobrado não apenas do líder religioso, mas também de sua esposa, das igrejas e de empresas ligadas a ele. A medida é vista como um passo decisivo para destravar a execução da sentença e garantir o cumprimento da decisão judicial.

A ação teve início em 2011, quando Fofoquito entrou com processo contra Valdemiro Santiago e a gravadora W.S. Music, pertencente ao religioso. O repórter alegou que não recebeu os direitos autorais referentes à música Deus Me Ajude, além de não ter sido devidamente remunerado pelo trabalho realizado no documentário De Menino Pobre a Apóstolo de Deus, lançado em formato de DVD. Segundo ele, sua atuação envolveu produção artística, divulgação e registros fotográficos do material, atividades que teriam sido fundamentais para o projeto.

Após anos de tramitação, a condenação foi definida em 2019, reconhecendo o direito do profissional ao recebimento dos valores reclamados. A fase de execução da sentença ganhou força a partir de 2022, quando a Justiça determinou que a indenização fosse efetivamente paga. Naquele momento, o montante já superava R$ 800 mil, reflexo do longo período de tramitação do processo e da atualização dos valores ao longo dos anos.

De acordo com a defesa de Everton Di Souza, houve uma tentativa inicial de acordo, na qual Valdemiro Santiago teria quitado apenas a primeira parcela, correspondente a 30 por cento do total devido. As cinco parcelas seguintes, previstas no mesmo acordo, não teriam sido pagas. Para o advogado do repórter, o novo prazo concedido pela Justiça representa uma última oportunidade para uma composição amigável, embora o tempo seja considerado curto diante da complexidade do caso.

Caso não haja manifestação ou proposta concreta dentro dos 15 dias, a expectativa é de que a Justiça avance para medidas mais rigorosas de cobrança. Isso pode incluir a responsabilização direta do patrimônio do líder religioso e das entidades vinculadas a ele, com o objetivo de assegurar o pagamento integral da dívida. A decisão atual não reabre a discussão sobre o mérito da condenação, que já está definida, mas sinaliza que o Judiciário pretende dar uma resposta efetiva após anos de impasse.

Procuradas desde quinta-feira, a Igreja Mundial do Poder de Deus e a defesa de Valdemiro Santiago não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O silêncio contrasta com a movimentação do processo e mantém em aberto um desfecho que pode ter impacto financeiro relevante para o líder religioso. Enquanto isso, o caso segue como exemplo de disputas judiciais de longa duração que, mesmo após mais de uma década, ainda mobilizam atenção e expectativa quanto ao seu desfecho final.

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