Pedro Turra: adolescente agredido por piloto morre após 16 dias internado no DF

A morte do adolescente de 16 anos, agredido em Vicente Pires, no Distrito Federal, trouxe um sentimento de indignação e tristeza que ultrapassou os limites da região onde tudo aconteceu. Após passar 16 dias internado em estado gravíssimo em um hospital particular de Águas Claras, o jovem não resistiu e faleceu na manhã deste sábado. A confirmação foi feita pelo advogado da família, Albert Halex, e divulgada inicialmente pelo g1.
O caso envolve o piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, apontado como autor das agressões. Ele permanece preso preventivamente desde o dia 2 de fevereiro, no Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário da Papuda. Na sexta-feira (6), o Superior Tribunal de Justiça negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa, mantendo a prisão. A decisão reforçou o entendimento de que, neste momento, a custódia é necessária para o andamento das investigações.
A agressão ocorreu após uma discussão na porta de um condomínio em Vicente Pires. Durante o confronto, o adolescente sofreu um traumatismo craniano grave ao bater a cabeça contra um carro, o que levou à internação imediata. Desde então, a família viveu dias de expectativa, acompanhando boletins médicos e torcendo por uma recuperação que, infelizmente, não veio.
Com o avanço das investigações, a Polícia Civil passou a descartar a versão inicial de que a briga teria começado por um motivo banal. De acordo com o delegado Pablo Aguiar, responsável pelo inquérito, os elementos reunidos indicam que o episódio pode ter sido resultado de um acerto de contas motivado por ciúmes, envolvendo a ex-namorada de um amigo de Pedro Turra. Mensagens, áudios e depoimentos colhidos pela polícia reforçam a tese de que a situação não foi espontânea.
A defesa da família do adolescente sustenta que a agressão teria sido premeditada. Segundo o advogado Albert Halex, há indícios de que os envolvidos chegaram juntos a uma festa e que a vítima foi chamada para fora pouco antes do ocorrido. Um áudio apreendido pela polícia, ainda conforme a defesa, sugere a intenção de cumprir um combinado, o que reforça a hipótese de uma emboscada. A defesa de Pedro Arthur, até o momento, não se manifestou sobre essas alegações específicas.
O caso também ganhou destaque após declarações do advogado de Pedro, Eder Fior, que afirmou inicialmente que o cliente estaria preso por ser “branco e de classe média”. A fala gerou forte repercussão e críticas nas redes sociais. Posteriormente, o advogado pediu desculpas, dizendo que sua declaração foi mal interpretada e que a intenção era discutir a seletividade do sistema penal e da cobertura pública, e não minimizar a gravidade do ocorrido.
Outro ponto que chamou atenção foi a postura do delegado Pablo Aguiar em entrevistas coletivas. O advogado de Pedro criticou a atuação do investigador, inclusive por demonstrar emoção ao falar do caso. Aguiar, por sua vez, defendeu a prisão preventiva, alegando que o comportamento do investigado e a gravidade dos fatos justificam a medida.
Com a repercussão nacional, outras denúncias envolvendo Pedro Arthur vieram à tona. A Polícia Civil apura quatro ocorrências anteriores, incluindo relatos de agressões e outros episódios registrados após a divulgação do caso. Diante disso, a Fórmula Delta anunciou o desligamento do piloto da temporada 2026, afirmando repúdio a qualquer tipo de violência.
Enquanto o processo segue sob segredo de Justiça, familiares e amigos do adolescente tentam lidar com a perda e cobram respostas. O caso reacende debates sobre violência entre jovens, responsabilidade, e os limites entre conflitos e consequências irreversíveis, deixando uma marca profunda na comunidade do Distrito Federal.



