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O ex-presidente Jair Bolsonaro foi ouvido na Papudinha e a investigação continua

A oitiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada na última segunda-feira (2) na chamada Papudinha, reacendeu o debate político e jurídico em torno de declarações feitas durante e após o período eleitoral. Bolsonaro foi ouvido na condição de investigado em um inquérito que analisa possíveis crimes contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um caso que envolve falas públicas, publicações em redes sociais e interpretações sobre episódios da campanha de 2022. O depoimento marca mais um capítulo de um embate que ultrapassa o campo político e passa a ser avaliado pelas instituições.

A investigação busca apurar se Bolsonaro praticou calúnia ao atribuir a Lula uma suposta ligação com traficantes de drogas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. As declarações do ex-presidente foram feitas em março de 2025 e retomaram um episódio amplamente discutido durante a campanha presidencial de 2022. Na ocasião, Lula participou de um evento no Alemão e utilizou um boné com a sigla CPX, o que gerou diferentes interpretações e foi explorado por adversários políticos nas redes sociais.

Além da suspeita de calúnia, o inquérito também analisa possíveis práticas de injúria relacionadas a postagens feitas por Bolsonaro na rede social X. Nessas publicações, o ex-presidente utilizou termos considerados ofensivos à dignidade e à honra de Lula, como “cachaça” e “patifaria armada”. Para os investigadores, esse tipo de linguagem pode extrapolar os limites da crítica política e configurar ofensa pessoal, o que motivou a inclusão desse ponto no processo.

O inquérito foi aberto a pedido do Ministério da Justiça, que entendeu haver elementos suficientes para a apuração dos fatos. A iniciativa reforça a atuação institucional no acompanhamento de declarações públicas de figuras políticas, especialmente quando envolvem acusações que podem impactar a imagem e a honra de autoridades. O caso também chama atenção por ocorrer em um ambiente de forte polarização, no qual discursos ganham grande alcance por meio das redes sociais.

A linha de defesa de Bolsonaro sustenta que todas as declarações foram feitas dentro do contexto da crítica política, argumento comum em disputas eleitorais e debates públicos. Segundo os advogados, não haveria intenção de ofender pessoalmente o presidente, mas sim de questionar atitudes e episódios relacionados à trajetória política de Lula. Mesmo com essa argumentação, a investigação segue em andamento, sem conclusão até o momento.

O episódio central do caso remete ao evento de campanha realizado por Lula no Complexo do Alemão, durante a eleição presidencial de 2022. Naquele dia, o então candidato usou um boné com as iniciais CPX, o que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais. O gesto foi interpretado por opositores como uma suposta referência à facção criminosa que atua na região, gerando uma onda de comentários e acusações que se espalharam rapidamente no ambiente digital.

Posteriormente, o caso foi desmentido a partir da explicação de que a sigla CPX é uma abreviação de “complexo”, termo utilizado para designar um conjunto de favelas, como é o caso do Complexo do Alemão. Mesmo assim, o episódio continuou sendo citado em debates políticos e acabou servindo de base para as declarações que agora são analisadas pela Justiça. A apuração busca esclarecer se houve extrapolação dos limites legais no discurso político, enquanto o desfecho do caso segue sendo acompanhado de perto por aliados, opositores e pela opinião pública.

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