Morre o dublador Ricardo Schnetzler; entenda a causa da morte

Ricardo Schnetzer foi, sem dúvida, uma das vozes mais marcantes e reconhecíveis da dublagem brasileira. Durante mais de quatro décadas, ele emprestou seu timbre grave, versátil e carregado de personalidade a alguns dos maiores nomes do cinema mundial, consolidando-se como a voz oficial de atores como Tom Cruise, Al Pacino, Richard Gere e Nicolas Cage. Sua capacidade de transmitir intensidade emocional, carisma e autoridade transformou-o em referência obrigatória para gerações de espectadores que, muitas vezes sem saber seu nome, reconheciam imediatamente sua presença nas telas.
Nascido no Rio de Janeiro, Schnetzer iniciou sua trajetória profissional ainda jovem, na década de 1970, em um período em que a dublagem brasileira passava por sua consolidação como arte e ofício. Ele rapidamente se destacou pela precisão técnica, pela leitura interpretativa e pela habilidade de adaptar diferentes estilos de atuação ao português brasileiro sem perder a essência dos personagens. Seu trabalho abrangeu desde blockbusters de ação até dramas psicológicos profundos, demonstrando uma impressionante amplitude de registros.
Além dos astros de Hollywood, Ricardo Schnetzer deixou marcas indeléveis também na televisão e na animação. Ele foi a voz de Capitão Planeta na série animada homônima, de Hank em Caverna do Dragão e de Benson em Apenas um Show, personagens que marcaram a infância e adolescência de milhões de brasileiros. Essa versatilidade permitiu que ele transitasse com naturalidade entre o cinema de grande bilheteria, produções infantis e séries adultas, conquistando públicos de todas as idades.
Sua carreira também foi marcada por uma dedicação quase obsessiva ao ofício. Schnetzer era conhecido nos estúdios por sua preparação minuciosa, pelo respeito absoluto ao material original e pela busca incessante pela melhor interpretação possível. Muitos colegas de profissão destacavam sua generosidade em dividir experiências e sua disposição para ajudar dubladores mais jovens, contribuindo para a formação de novas gerações na área.
Em 2026, a comunidade da dublagem brasileira recebeu a triste notícia de seu diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva e sem cura. Mesmo diante do avanço da enfermidade, Schnetzer manteve dignidade e serenidade, e sua família chegou a abrir uma campanha de apoio financeiro para custear tratamentos e cuidados. A revelação pública do quadro de saúde mobilizou artistas, fãs e profissionais que, em massa, manifestaram carinho e reconhecimento por uma carreira tão sólida e admirada.
Ricardo Schnetzer faleceu em 4 de fevereiro de 2026, aos 72 anos, deixando um vazio difícil de preencher na dublagem nacional. Sua partida foi sentida não apenas pelos colegas de profissão, mas por um público que cresceu ouvindo sua voz em momentos decisivos de filmes, séries e animações que marcaram época. Ele se foi como viveu: com intensidade, respeito pela arte e uma entrega total ao que fazia.
Seu legado, porém, permanece vivo em cada reprise de Top Gun, em cada cena marcante de Scarface, em cada fala carregada de emoção de um personagem que ele trouxe à vida com maestria. Ricardo Schnetzer não foi apenas um dublador excepcional; foi um artista que, através da voz, ajudou a construir a memória afetiva de várias gerações de brasileiros. Sua ausência será sentida por muito tempo, mas sua presença continuará ecoando nas telas e nos corações de quem o ouviu.



