Geral

Notícia envolvendo esposa de Alexandre de Moraes vem a público

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado avançou em suas articulações ao apresentar um requerimento que pede a convocação da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, para prestar esclarecimentos ao colegiado. A iniciativa partiu do relator da CPI, senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, e foi protocolada no início desta semana. O pedido ainda depende de aprovação da maioria dos membros da comissão para que a oitiva seja confirmada e, somente após esse aval, uma data será oficialmente definida. A instalação dos trabalhos da CPI está prevista para o dia 11 de fevereiro.

Segundo o requerimento, a convocação tem como objetivo esclarecer suspeitas relacionadas a possíveis práticas de tráfico de influência e exploração de prestígio em instâncias do Poder Judiciário e em órgãos da administração pública. O texto destaca que a CPI entende ser necessário ouvir Viviane Barci para obter informações diretas sobre contratos e relações profissionais que passaram a ser questionados após análises preliminares feitas pelo relator.

As suspeitas mencionadas no documento surgiram a partir da identificação de um contrato no valor de 129 milhões de reais firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Para Alessandro Vieira, há indícios de que o montante envolvido não guarda proporcionalidade clara com os serviços que teriam sido prestados, o que justificaria a necessidade de esclarecimentos detalhados à comissão parlamentar.

No requerimento, o senador sustenta que a discrepância entre o valor do contrato e sua finalidade aparente pode indicar a tentativa de conferir aparência de legalidade a eventuais repasses irregulares. Ele também faz referência a investigações relacionadas à Operação Carbono Oculto, que apuram se o Banco Master teria sido capitalizado com recursos provenientes de práticas ilícitas, incluindo fraudes e atividades ligadas ao tráfico de drogas. Em um dos trechos do pedido, o relator afirma haver fundadas suspeitas de que os valores pagos ao escritório não representariam receita operacional legítima, mas sim produto de possível lavagem de dinheiro, hipótese que deverá ser analisada no âmbito da CPI.

Outro ponto destacado é a alegação de que o pagamento ao escritório de advocacia teria sido tratado como prioridade absoluta pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Para o relator, esse comportamento reforçaria os indícios de tráfico de influência e exploração de prestígio, justificando medidas adicionais de investigação parlamentar.

Além da convocação para depoimento, a movimentação no Congresso incluiu a apresentação de um pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Viviane Barci de Moraes. O requerimento foi protocolado na semana anterior pelos senadores Eduardo Girão, do Novo do Ceará, e Magno Malta, do PL do Espírito Santo. A solicitação abrange o período de janeiro de 2024 até o ano de 2026 e prevê o acesso a dados como movimentações financeiras, declarações fiscais, investimentos e registros mantidos por órgãos de controle, incluindo Receita Federal, Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras.

Caso os requerimentos avancem, a CPI deverá analisar as informações reunidas para avaliar se há elementos que justifiquem novas diligências ou encaminhamentos a outros órgãos competentes. O caso tem potencial para ampliar o debate político e institucional em torno da atuação da comissão, ao mesmo tempo em que reforça a atenção sobre os limites entre a investigação parlamentar, o devido processo legal e a preservação de garantias individuais.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: