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Vereador de Balneário Camboriú, filho “04” de Bolsonaro é processado por ex-ministro

A cena política brasileira anda tão dinâmica que, às vezes, parece que uma semana concentra assuntos que renderiam um mês inteiro. Nos últimos dias, por exemplo, chamou atenção a ação por danos morais que deu entrada na Justiça de Balneário Camboriú. O autor é o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, e o alvo é o vereador Jair Renan Bolsonaro. O motivo remonta a junho do ano passado, quando o “04” comentou, em sua conta no X (antigo Twitter), o arquivamento, pela Procuradoria-Geral da República, de uma investigação que envolvia Lupi e ex-integrantes da Previdência em uma fraude bilionária no INSS. A apuração foi encerrada, mas o episódio segue produzindo desdobramentos políticos e jurídicos.

Enquanto isso, Santa Catarina voltou ao centro de debates nacionais. Nos últimos dias, textos publicados em um grande jornal paulista reacenderam discussões antigas e sensíveis. Em um deles, o leitor Marco Antônio M. de Oliveira afirmou que já haveria movimentos para “engavetar” o caso do cão Orelha, encerrando o comentário com uma frase provocativa que associa o estado a práticas autoritárias. A repercussão foi imediata e, como costuma acontecer, dividiu opiniões.

Na mesma linha, a jornalista Ana Cristina Rosa assinou um artigo com o título “Nome de santa, atitude de racista”, abordando a lei estadual que proibiu cotas raciais e também mencionando o caso do cão Orelha. Em um dos trechos, ela lembrou que o Brasil é uma federação formada majoritariamente por pessoas autodeclaradas pretas e pardas, segundo dados do IBGE, e sugeriu que essa realidade nem sempre é considerada por políticos e parte da população catarinense.

Os números, no entanto, costumam gerar controvérsia quando analisados fora de contexto. Dados do IBGE de 2021 indicam que Santa Catarina tinha 81,5% de habitantes brancos, enquanto pessoas pretas e pardas somavam 18,1%. Já o Censo de 2022 mostrou um crescimento expressivo desses grupos nos últimos 12 anos: alta de 88,6% entre pardos e de 68,6% entre pretos, um acréscimo de mais de 800 mil pessoas. São estatísticas que ajudam a entender transformações demográficas recentes, mas que também exigem cuidado na interpretação.

A discussão sobre identidade ganhou ainda mais combustível quando vieram à tona informações do Tribunal Superior Eleitoral sobre a autodeclaração racial do governador Jorginho Mello em eleições passadas. Em 2014 e 2022, ele se declarou branco; em 2018, quando concorreu ao Senado, constava como pardo. O tema virou munição política e alimentou debates nas redes e fora delas.

Longe dessas disputas, o litoral catarinense segue chamando atenção por outro motivo: o mercado imobiliário. Em Itajaí, apartamentos compactos, de até 45 metros quadrados, lideram lançamentos de alto padrão. Um dos símbolos dessa fase é o edifício Raro, na Praia Brava, com 50 andares, academia ampla, coworking com estúdios de podcast, spa suspenso e até espaço previsto para eVTOLs, os chamados carros voadores. Parece coisa de filme, mas já está no papel.

Na política local, alianças improváveis também mostram como o jogo muda rápido. O prefeito de Chapecó, João Rodrigues, pré-candidato ao governo estadual, lembra que o principal adversário do prefeito de Joinville, Adriano Silva, na eleição de 2024 foi o PL. Agora, o mesmo Adriano surge como possível vice na chapa. Como se diz nos corredores, a política segue sendo a arte de engolir sapos.

Por fim, há iniciativas que apontam para o futuro. Um projeto de lei do deputado federal Cabalchini propõe cashback para quem destinar corretamente resíduos recicláveis, com descontos em contas de água e luz. E, no campo jurídico, a OAB paulista enviou ao Supremo sugestões para atualizar o Código de Conduta de seus ministros, incluindo limites a conflitos de interesse e participação em eventos patrocinados. A seccional catarinense estuda propostas semelhantes. Em meio a tantos temas, uma coisa é certa: o debate público continua intenso — e longe de esfriar.

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