No STF, Lula fala sobre problemas que o Brasil pode enfrentar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da sessão solene de abertura dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal e aproveitou a ocasião para defender publicamente o papel do Judiciário brasileiro, além de manifestar preocupação com os desafios que a Justiça Eleitoral deverá enfrentar ao longo do processo eleitoral de 2026. Diante de ministros do STF, além de representantes dos Poderes Judiciário e Legislativo, o chefe do Executivo ressaltou a necessidade de firmeza institucional em um cenário marcado por pressões políticas, transformações tecnológicas aceleradas e riscos à normalidade democrática.
Durante seu discurso no plenário, Lula destacou que as decisões judiciais relacionadas aos atos de 8 de janeiro tiveram papel fundamental no fortalecimento da democracia brasileira. Segundo ele, os julgamentos e as condenações demonstraram de forma clara que nenhuma autoridade está acima da lei, reforçando a confiança da população nas instituições e na própria Justiça. Para o presidente, o enfrentamento desses episódios contribuiu para amadurecer o sistema democrático do país e para consolidar a percepção de que o Estado de Direito deve prevalecer, independentemente de pressões externas ou internas.
O presidente também enfatizou que a democracia não se sustenta apenas pela realização periódica de eleições. De acordo com Lula, eleições livres são essenciais, mas insuficientes se não forem acompanhadas por instituições sólidas, capazes de proteger o processo eleitoral, garantir a prestação de contas e coibir abusos de poder. Ele afirmou que uma democracia consistente exige estruturas confiáveis e mecanismos eficazes de fiscalização, especialmente em contextos de instabilidade política e disseminação acelerada de informações.
Nesse contexto, Lula atribuiu papel central à Justiça Eleitoral, sob a liderança do Tribunal Superior Eleitoral. Para o presidente, o TSE é um dos pilares da defesa da soberania popular e da legitimidade do voto, sendo responsável por assegurar que o processo eleitoral ocorra dentro das regras democráticas. Ao tratar especificamente das eleições de 2026, ele afirmou que o pleito imporá enormes desafios ao sistema de Justiça, exigindo preparo técnico, institucional e jurídico para enfrentar novas formas de irregularidades.
Entre as principais preocupações apontadas pelo chefe do Executivo estão o abuso do poder econômico, a manipulação da opinião pública por meio da disseminação criminosa de notícias falsas e o uso indevido de algoritmos de plataformas digitais. Lula também mencionou a contratação de influenciadores para atacar adversários políticos e o uso de ferramentas de inteligência artificial na falsificação de imagens, áudios e vídeos, criando realidades artificiais capazes de confundir eleitores e comprometer a lisura do processo eleitoral.
O presidente alertou ainda para o que classificou como “pirataria eleitoral”, fenômeno que, segundo ele, não é exclusivo do Brasil, mas afeta democracias ao redor do mundo. Para Lula, a velocidade e a sofisticação das novas tecnologias exigem respostas igualmente rápidas e eficientes das instituições brasileiras. Ele ressaltou que mentiras repetidas de forma massiva podem influenciar resultados eleitorais e comprometer a confiança da população no sistema democrático, razão pela qual o país precisa estar preparado para esse tipo de ameaça.
Por fim, Lula reforçou que as eleições gerais de 2026, cujo primeiro turno está marcado para 4 de outubro, mobilizarão mais de 150 milhões de eleitores, que irão escolher presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores, dois senadores por estado, além de deputados federais e estaduais. Segundo o presidente, garantir a integridade desse processo é uma responsabilidade coletiva que envolve não apenas a Justiça Eleitoral, mas todas as instituições comprometidas com a preservação da democracia brasileira.



