Notícias

Pai de jovem investigado no caso Orelha se pronuncia sobre educação do filho

A morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, deixou de ser apenas uma notícia local e passou a ocupar espaço nas conversas de todo o país. Quem acompanha o noticiário ou mesmo as redes sociais percebeu como o caso ganhou força depois de ser exibido no programa Fantástico, no último domingo (1). Desde então, o nome de Orelha virou símbolo de um debate maior: até onde vai a responsabilidade individual quando se fala em maus-tratos a animais e qual deve ser a resposta do sistema de Justiça, especialmente quando há adolescentes envolvidos.

Orelha não era apenas um cachorro que circulava pela praia. Era conhecido por moradores, comerciantes e frequentadores da região, que se acostumaram com sua presença tranquila. Por isso, o episódio causou indignação imediata. A comoção não veio só pelo que aconteceu, mas pelo sentimento de que algo falhou — seja na vigilância, na educação ou na forma como a sociedade lida com esse tipo de comportamento.

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil passou a adotar medidas mais incisivas. Dois adolescentes suspeitos foram abordados no momento em que desembarcavam de uma viagem aos Estados Unidos. Os celulares dos jovens foram apreendidos e encaminhados para perícia técnica. A análise busca encontrar mensagens, vídeos, fotos ou qualquer outro registro digital que ajude a reconstruir a dinâmica dos fatos e entender o grau de participação de cada envolvido.

A investigação corre sob responsabilidade da Delegacia de Adolescentes em Conflito com a Lei, com apoio da Polícia Científica. Todo o material extraído dos aparelhos será avaliado com cautela. Por força do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os nomes e imagens dos suspeitos permanecem em sigilo, o que tem gerado discussões acaloradas, mas também reforça a necessidade de seguir a legislação vigente.

Um dos momentos mais comentados da reportagem exibida no Fantástico foi o pronunciamento do pai de um dos adolescentes investigados. Em tom firme, ele destacou que a educação dada ao filho nunca foi de passar a mão na cabeça. “Se ele fez alguma coisa e isso ficar provado, ele tem que responder”, afirmou. A fala repercutiu justamente por ir na contramão da ideia de blindagem familiar a qualquer custo.

O mesmo pai reforçou que a família não compactua com atitudes violentas e defendeu uma apuração rigorosa, baseada em provas concretas. Para muita gente, essa postura trouxe um raro equilíbrio em meio à revolta geral: indignação pelo ocorrido, mas respeito ao devido processo legal.

O advogado Rodrigo Duarte da Silva, que representa duas famílias envolvidas no caso, também se manifestou. Segundo ele, a expectativa é que os depoimentos sejam colhidos o quanto antes, para que os fatos sejam esclarecidos com rapidez. O objetivo, afirma, é duplo: inocentar quem não teve participação e responsabilizar, de forma proporcional, quem eventualmente for considerado culpado.

Enquanto o inquérito segue em andamento, o caso Orelha continua mobilizando a opinião pública. Mais do que buscar justiça para um cão comunitário, a discussão expõe feridas antigas sobre empatia, educação e responsabilidade. E, independentemente do desfecho, fica a sensação de que episódios assim não podem cair no esquecimento depois que as manchetes mudam.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: