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Voluntário faz relato emocionante após resgate de criança autista

O reencontro da pequena Alice Maciel Lacerda Lisboa, de 4 anos, em Jeceaba, na região Central de Minas Gerais, foi marcado por emoção, fé e persistência. Depois de três dias de buscas intensas, a criança autista não verbal foi localizada no sábado (31) graças à atuação decisiva de voluntários que se recusaram a desistir.

Um deles foi Guilherme Henrique de Azevedo, de 29 anos, operador de abastecimento e trilheiro. Exausto após horas de procura no dia anterior, ele ainda assim voltou ao local por conta própria. “Eu estava muito cansado, mas algo dizia que eu precisava tentar mais uma vez”, contou.

Guilherme saiu de casa no início da tarde e se juntou a dois amigos voluntários. O trio decidiu explorar uma estrada pouco visitada pelas equipes oficiais. “Era um trecho que quase ninguém tinha passado. A gente pensou: e se ela estiver ali?”, relatou.

O momento decisivo veio quando um dos voluntários assobiou para chamar os colegas. “Na hora, a gente ouviu um grito no meio do mato. O coração disparou. Parecia ser de criança”, lembrou Guilherme. A partir daí, não houve dúvida: eles seguiram na direção do som.

Subindo um pasto íngreme, próximo a uma área de eucaliptos, os voluntários se aproximaram com cautela. Alice estava deitada do outro lado de uma cerca, na transição entre o pasto e a mata fechada. “Quando vi que era ela, comecei a gritar ‘obrigado, meu Deus’. Foi automático”, contou Guilherme, visivelmente emocionado.

Outro voluntário pediu calma para não assustar a menina. “A gente falou baixo, devagar. Estendi os braços, e ela veio tranquila, sem chorar. Deitou no colo e fechou os olhinhos. Aquilo acabou comigo”, disse um dos amigos que participou do resgate.

Logo após o reencontro, Guilherme acionou a Polícia Militar. Alice foi levada para atendimento médico e, segundo os bombeiros, estava bem, consciente, com sinais vitais preservados, apenas com marcas de capim pelo corpo.

A força-tarefa reuniu bombeiros, policiais civis e militares, Defesa Civil e moradores da região, que varreram uma área extensa de mata e pastagem. Para quem esteve na linha de frente, o sentimento foi de missão cumprida. “Não foi heroísmo. Foi humanidade. Qualquer um faria o mesmo”, resumiu Guilherme.

A Polícia Civil segue investigando como a criança conseguiu se afastar tanto do local onde desapareceu. Enquanto isso, os voluntários guardam a lembrança de um desfecho raro e poderoso: o som de um grito que trouxe esperança — e salvou uma vida.

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