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Lula recebe cobrança inusitada após raio em ato de Nikolas

No último domingo, dia 25, Brasília foi palco de um episódio que misturou política, clima imprevisível e uma boa dose de perplexidade. Ao final da chamada “Caminhada pela Liberdade”, mobilização associada ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um raio atingiu um grupo de participantes e deixou dezenas de pessoas feridas. O que já seria suficiente para gerar debate ganhou um contorno ainda mais curioso horas depois, quando uma cobrança direcionada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a circular nos bastidores políticos e nas redes sociais.

O ato, que começou no interior de Minas Gerais e terminou na capital federal, tinha como uma de suas bandeiras o pedido de libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente detido no complexo da Papuda, conhecido popularmente como “Papudinha”. No encerramento da manifestação, sob chuva intensa, um raio caiu na região da Praça do Cruzeiro, provocando pânico imediato entre os presentes. Ao todo, 33 pessoas precisaram ser levadas a hospitais de Brasília após sofrerem os efeitos da descarga elétrica.

Relatos de quem estava no local apontam para momentos de confusão. Pessoas caíram no chão, algumas ficaram desorientadas e houve quem precisasse ser carregado até a única ambulância disponível no evento. A cena, descrita por testemunhas, foi de tensão e silêncio quebrado apenas por pedidos de ajuda. Segundo informações divulgadas pelo UOL, equipes de socorro atendiam uma mulher dentro da ambulância enquanto familiares tentavam amparar outras vítimas ao redor.

Foi nesse contexto que surgiu a manifestação da vereadora Giselli Bianchini (PP), de Maringá, no Paraná. A parlamentar afirmou que pretende oficiar o presidente Lula para solicitar providências em relação ao local onde ocorreu o incidente. Entre as sugestões, está a avaliação da instalação de para-raios na área. Para ela, trata-se de um espaço que não deveria ficar “exposto a riscos previsíveis”, especialmente quando recebe grandes concentrações de pessoas.

A fala chamou atenção não apenas pelo conteúdo, mas pelo destinatário. Afinal, eventos climáticos extremos não costumam entrar diretamente na pauta do Palácio do Planalto. Ainda assim, Giselli defendeu sua posição e criticou o que classificou como deboche em relação aos feridos. Em declaração ao portal Metrópoles, afirmou que o desfecho poderia ter sido muito pior e que o episódio, nas palavras dela, foi um “grande milagre”.

Nas redes sociais, como já virou rotina em tempos recentes, o caso rapidamente se transformou em combustível para disputas políticas. Houve quem usasse o episódio para atacar adversários, enquanto outros pediam mais empatia e foco na recuperação das vítimas. No meio desse ruído, a discussão sobre segurança em eventos públicos voltou à tona, especialmente em períodos de instabilidade climática, cada vez mais frequentes no país.

O episódio do último domingo não deve ser lembrado apenas pela polêmica que se seguiu, mas também como um alerta. Independentemente de bandeiras partidárias ou preferências ideológicas, situações que envolvem a integridade física das pessoas exigem respostas técnicas, diálogo e, acima de tudo, responsabilidade. Em Brasília, o raio caiu do céu, mas o debate que veio depois nasceu bem aqui, no chão da política brasileira.

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