Alguns casos da doença da Urina Preta já foram confirmados no Brasil

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas confirmou recentemente três casos de rabdomiólise associados à chamada Doença de Haff, condição rara popularmente conhecida como doença da urina preta. Os registros ocorreram no município de Itacoatiara, no interior do estado, e acenderam um alerta importante para autoridades de saúde e para a população que consome pescado com frequência. Embora os casos sejam referentes a 2025, a divulgação oficial aconteceu apenas anteontem, reforçando a necessidade de informação clara e vigilância contínua sobre o tema.
De acordo com a FVS, ao longo de 2025 foram notificados nove casos de rabdomiólise em três municípios do Amazonas. Desses, somente três tiveram confirmação laboratorial e epidemiológica compatível com a Doença de Haff. Os pacientes confirmados são moradores da zona urbana de Itacoatiara, sendo que dois pertencem à mesma família. Todos receberam atendimento médico adequado, realizaram o tratamento indicado e não apresentaram sequelas após a recuperação, segundo informou a fundação.
Os quadros clínicos apresentados pelos pacientes chamaram a atenção dos profissionais de saúde por serem bastante semelhantes. Entre os principais sintomas relatados estavam fraqueza muscular intensa, dores musculares generalizadas e alteração na coloração da urina, que se tornou mais escura. Exames laboratoriais apontaram níveis elevados da enzima creatinofosfoquinase, conhecida como CPK, com média de 6.400 U/L, valor muito acima do considerado normal, que varia entre 20 e 200 U/L conforme sexo e idade.
Outro ponto relevante destacado pela FVS é o intervalo entre o consumo do alimento e o início dos sintomas. Nos casos confirmados em Itacoatiara, os sinais começaram, em média, cerca de nove horas após a ingestão do pescado. Todos os pacientes relataram ter consumido pacu, preparado principalmente de forma frita ou assada, em ambiente domiciliar. Segundo a coordenação do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Amazonas, não houve relação com estabelecimentos comerciais, o que reforça a importância do cuidado também no preparo caseiro.
Apesar de serem considerados poucos casos, a Doença de Haff preocupa as autoridades por estar relacionada a um alimento amplamente consumido no estado. A diretora-presidente da FVS, Tatyana Amorim, destacou que a vigilância ativa é essencial para proteger a saúde da população amazonense. Segundo ela, o acompanhamento constante permite orientar medidas de prevenção, identificar rapidamente novos casos e reduzir riscos associados ao consumo de pescado, base importante da alimentação regional.
A Doença de Haff é uma síndrome rara caracterizada por rabdomiólise súbita, geralmente associada à ingestão de peixes ou crustáceos de água doce. Os sintomas costumam surgir entre duas e 24 horas após o consumo e incluem dores musculares, rigidez e alteração na cor da urina. Em situações mais graves, o quadro pode evoluir para comprometimento da função renal, já que a lesão muscular libera mioglobina na corrente sanguínea, substância que pode sobrecarregar os rins.
O tratamento da Doença de Haff é direcionado às consequências clínicas apresentadas pelo paciente. Na maioria dos casos, é necessária internação para monitoramento, reposição de fluidos e suporte clínico adequado, podendo variar entre cuidados intensivos ou semi-intensivos. A FVS reforça que, diante de sintomas após o consumo de peixe, a orientação é procurar atendimento médico imediato. Informação, vigilância e resposta rápida seguem sendo as principais estratégias para garantir a segurança alimentar e a saúde da população do Amazonas.



