Caso em maternidade de Natal acende alerta sobre condições de atendimento no momento do parto

Um parto que deveria marcar o início de uma nova vida com tranquilidade acabou se transformando em um momento de tensão e questionamentos em uma maternidade pública de Natal. Uma gestante que já estava em trabalho de parto ativo deu à luz enquanto era deslocada em uma cadeira de rodas dentro da unidade de saúde. Durante o procedimento, a recém-nascida caiu no chão, situação que foi presenciada pelo pai da criança e por profissionais que estavam no local. O caso gerou comoção, levantou dúvidas sobre protocolos de atendimento e motivou cobranças por esclarecimentos.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a gestante chegou à maternidade com seis centímetros de dilatação e sem sinais de ruptura da bolsa amniótica, quadro descrito pela pasta como compatível com a fase do trabalho de parto em que ela se encontrava. A secretaria afirmou ainda que a paciente foi acolhida e acompanhada pela equipe assistencial desde a admissão. No entanto, a forma como ocorreu o deslocamento da mulher dentro da unidade passou a ser o principal ponto de discussão após o ocorrido.
O pai da bebê, Raniere, relatou que a médica estava presente no momento em que a criança nasceu e que ele próprio presenciou a cena. Segundo ele, o cordão umbilical se rompeu no instante em que a bebê caiu. Emocionado, o pai afirmou que o episódio poderia ter tido consequências ainda mais graves. Para a família, o que aconteceu expõe falhas que precisam ser analisadas com cuidado, para evitar que outras gestantes passem por situação semelhante.
Após o nascimento, a recém-nascida foi encaminhada para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, onde deveria realizar exames de imagem. No entanto, segundo o pai, o equipamento de tomografia da unidade estava indisponível naquele momento. Diante disso, a bebê precisou ser transferida para o Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim, onde finalmente passou pelo exame necessário para avaliar seu estado de saúde.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que, além da tomografia, a criança passou por avaliação médica completa e não apresentou lesões ou qualquer tipo de sequela. Segundo a pasta, a recém-nascida segue sendo acompanhada regularmente pelo serviço de saúde, assim como a mãe, que também recebeu atendimento após o parto. A secretaria reforçou que todos os procedimentos pós-parto foram realizados e que a equipe permaneceu prestando assistência durante todo o período.
Mesmo com os exames sem apontar problemas clínicos, o pai da bebê questiona a forma como a gestante foi conduzida dentro da maternidade. Para ele, o transporte em uma cadeira de rodas não era o mais adequado para uma mulher em estágio avançado de trabalho de parto. Raniere defende que a esposa deveria ter sido levada em uma maca, o que, na visão dele, poderia ter oferecido mais segurança naquele momento delicado. O relato reforça o debate sobre protocolos e infraestrutura no atendimento obstétrico.
O caso reacende a discussão sobre as condições de atendimento nas maternidades públicas e a importância de protocolos bem definidos para situações de urgência obstétrica. Especialistas destacam que cada etapa do trabalho de parto exige avaliação constante e decisões rápidas, sempre priorizando a segurança da mãe e do bebê. Enquanto a família busca respostas e acompanhamento contínuo, o episódio serve de alerta para que unidades de saúde revisem procedimentos e garantam que momentos tão importantes sejam conduzidos com o máximo de cuidado e atenção.



