Investigação afasta ligação entre morte de Orelha e suposto ataque a outro cachorro em SC

A Polícia Civil de Santa Catarina voltou atrás e descartou, nesta sexta-feira, a informação de que os adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha também teriam tentado afogar outro cachorro, chamado Caramelo, no mesmo episódio ocorrido na Praia Brava, em Florianópolis. A revisão do caso ocorre após nova análise de depoimentos, imagens e laudos colhidos ao longo da investigação, que ganhou repercussão nacional pela brutalidade e pela comoção gerada nas redes sociais.
Em nota, a corporação informou que a hipótese envolvendo o cachorro Caramelo chegou a ser considerada nos estágios iniciais do inquérito, a partir de relatos preliminares e informações não confirmadas. No entanto, com o avanço das diligências e a consolidação das provas, os investigadores concluíram que não há elementos suficientes para vincular os adolescentes ao suposto ato contra o segundo animal. Assim, essa linha investigativa foi oficialmente descartada.
Segundo a Polícia Civil, a revisão não altera o foco principal do inquérito, que segue concentrado na apuração das responsabilidades pela morte do cão Orelha, mascote comunitário da região e conhecido por moradores e turistas. O animal morreu após sofrer agressões, fato que levou à abertura de investigação específica por maus-tratos, além de outros possíveis delitos relacionados ao caso. As autoridades reforçaram que a exclusão da suspeita envolvendo Caramelo não diminui a gravidade do crime já confirmado.
A delegacia responsável esclareceu que investigações desse tipo passam, naturalmente, por ajustes ao longo do processo. Informações iniciais, muitas vezes obtidas em meio a forte comoção social, precisam ser confirmadas tecnicamente antes de serem incorporadas ao inquérito. “É nosso dever investigar todas as possibilidades, mas também corrigir o rumo sempre que os fatos assim exigirem”, pontuou a Polícia Civil em comunicado oficial.
O caso Orelha mobilizou a opinião pública em todo o país, com protestos, homenagens e uma enxurrada de pedidos por justiça. Entidades de proteção animal, influenciadores e cidadãos comuns cobraram rigor na apuração e punição exemplar dos responsáveis. A morte do cachorro também reacendeu o debate sobre violência contra animais, responsabilidade penal de adolescentes e os limites das medidas socioeducativas previstas na legislação brasileira.
Por envolver menores de idade, o inquérito é conduzido sob as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Caso seja confirmada a autoria e a materialidade do crime de maus-tratos que levou à morte de Orelha, os adolescentes poderão responder por ato infracional, estando sujeitos a medidas socioeducativas, que vão desde advertência até internação, respeitado o prazo máximo previsto em lei. A polícia reforça que a responsabilização ocorre de forma distinta da aplicada a adultos, mas não deixa de existir.
Mesmo com a exclusão da suspeita relacionada ao cachorro Caramelo, a Polícia Civil destaca que outros desdobramentos ainda estão sendo analisados. Entre eles, a possível participação indireta de terceiros, eventuais tentativas de intimidação de testemunhas e danos ao patrimônio público ou privado. O inquérito segue em andamento, e novas informações poderão ser divulgadas conforme a investigação avance.
O descarte dessa acusação específica, embora alivie parte da narrativa inicial, não arrefece a indignação popular nem encerra o caso. Para moradores da Praia Brava e defensores da causa animal, a morte de Orelha permanece como um símbolo de violência que exige respostas firmes do poder público. A Polícia Civil afirma que o trabalho continua com rigor técnico, sem pressa e sem pressão externa, para que os fatos sejam esclarecidos com precisão — porque, nesse caso, errar seria tão grave quanto se omitir.



