Adolescentes do caso Orelha são cercados ao chegar no Brasil

A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, ganhou novos capítulos e voltou a mobilizar a opinião pública nesta semana. A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou que dois dos quatro adolescentes apontados como participantes do caso retornaram ao Brasil após viagem ao exterior e já foram formalmente incluídos nas diligências em andamento. A repercussão, que já era grande, aumentou ainda mais com os desdobramentos envolvendo familiares dos jovens.
De acordo com as autoridades, os adolescentes desembarcaram no país na quinta-feira (29) e foram imediatamente abordados para o cumprimento de medidas judiciais. Mandados de busca e apreensão foram executados, resultando no recolhimento de aparelhos celulares que agora passarão por perícia técnica. A análise do conteúdo pode ajudar a esclarecer conversas, registros e possíveis conexões relacionadas ao episódio que causou comoção nacional.
Além da apreensão dos dispositivos eletrônicos, os dois jovens também foram intimados a prestar depoimento. A oitiva faz parte de uma etapa considerada essencial para confrontar versões e reunir elementos que ajudem a reconstituir o que aconteceu no dia do ocorrido. A Polícia Civil reforça que o procedimento segue os protocolos legais previstos para casos que envolvem menores de idade, com acompanhamento das garantias previstas na legislação brasileira.
Os outros dois adolescentes já haviam sido alvos de uma operação realizada no início da semana, quando também foram cumpridas medidas autorizadas pela Justiça. Com isso, os quatro investigados estão oficialmente inseridos no inquérito, que busca esclarecer responsabilidades e circunstâncias do caso. A polícia trabalha para montar uma linha do tempo detalhada, reunindo depoimentos, imagens e laudos técnicos.
O inquérito, no entanto, não se limita apenas aos menores. Três adultos — dois pais e um tio de adolescentes investigados — foram indiciados por coação no curso do processo. Segundo a apuração, eles teriam tentado influenciar uma testemunha considerada importante para o esclarecimento dos fatos. A suposta interferência teria como objetivo impedir que uma evidência relevante chegasse às mãos das autoridades.
Essa nova frente da investigação ampliou o alcance do caso e trouxe um alerta sobre a importância da preservação das provas e da integridade das testemunhas. A Polícia Civil destacou que qualquer tentativa de atrapalhar o andamento do processo pode resultar em responsabilização criminal. O trabalho agora se concentra na análise do material apreendido e na conclusão dos depoimentos pendentes, etapas vistas como decisivas para o fechamento do inquérito.
Apesar da forte repercussão nas redes sociais, as autoridades lembram que o caso envolve adolescentes e, por isso, está protegido por sigilo judicial. O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a divulgação de nomes, imagens e informações que permitam a identificação dos menores. Enquanto a investigação avança nos bastidores, a sociedade acompanha com expectativa por respostas, ao mesmo tempo em que especialistas reforçam a necessidade de respeito às normas legais e ao devido processo.



