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Caso Orelha: adolescentes têm celulares apreendidos pela polícia em aeroporto

A Polícia Civil de Santa Catarina avançou nas investigações sobre a morte do cão comunitário conhecido como Orelha e realizou, nesta quinta-feira (29), a apreensão de celulares e peças de roupa pertencentes a dois adolescentes suspeitos de envolvimento no caso. A abordagem ocorreu no Aeroporto Internacional de Florianópolis, no momento em que os jovens desembarcavam no Brasil após terem deixado o país nos dias seguintes à repercussão do episódio, que provocou forte comoção nacional.

De acordo com a corporação, os adolescentes eram monitorados em conjunto pela Polícia Civil e pela Polícia Federal. As autoridades identificaram a antecipação do retorno ao Brasil e, diante disso, deram cumprimento a mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. A ação foi conduzida por equipes do Departamento de Atos Infracionais contra Crianças e Adolescentes (DEACLE) e da Delegacia de Proteção ao Adolescente (DPA) da Capital, em uma área restrita do aeroporto, com o objetivo de preservar a segurança dos envolvidos e evitar exposição indevida.

Segundo a Polícia Civil, os aparelhos celulares e as roupas apreendidas são considerados peças-chave para o aprofundamento das investigações. O material passará por análise técnica e pericial, com foco em mensagens, registros de imagens, vídeos e eventuais interações em redes sociais que possam ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos e a participação individual de cada suspeito. A linha investigativa aponta que as condutas atribuídas ao grupo ultrapassam o crime de maus-tratos a animais, podendo incluir danos ao patrimônio e crimes contra a honra.

Relatórios preliminares indicam que o cão Orelha foi vítima de uma sessão de tortura, o que levou à decisão veterinária de submetê-lo à eutanásia, diante da gravidade dos ferimentos. O animal era considerado um mascote comunitário da Praia Brava, em Florianópolis, e era cuidado por moradores e frequentadores da região. O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais e gerou protestos, cobranças por justiça e manifestações em defesa do endurecimento das punições para crimes contra animais.

As investigações também apontam para um segundo episódio de violência, envolvendo outro cachorro, conhecido como Caramelo. De acordo com a apuração policial, houve uma tentativa de afogamento, da qual o animal conseguiu escapar. Além disso, a Delegacia Especializada apura suspeitas de depredação de patrimônio e ataques à honra de profissionais que atuam na região, incluindo possíveis ameaças e ofensas relacionadas à divulgação do caso.

Em nota enviada à imprensa, os advogados que representam um dos adolescentes afirmaram que a viagem internacional havia sido programada anteriormente e que não se tratou de fuga. A defesa sustenta que os jovens estão colaborando com as investigações e reforça que todas as medidas legais estão sendo cumpridas. A Polícia Civil, por sua vez, mantém o entendimento de que o retorno ao país, ainda que antecipado, justificou a ação preventiva para preservar provas relevantes.

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que o foco principal da investigação neste momento é a individualização das condutas. Segundo ele, o objetivo é determinar com clareza o papel de cada um dos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nos atos praticados contra os animais e em outras possíveis infrações conexas. Essa etapa é considerada fundamental para a correta aplicação das medidas previstas em lei.

Por envolver adolescentes entre 12 e 18 anos incompletos, o caso é tratado com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não pelo Código Penal comum. Caso as autorias e responsabilidades sejam confirmadas, o relatório final será encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei, que dará prosseguimento aos procedimentos judiciais. A legislação brasileira prevê que a medida socioeducativa de internação, nos casos mais graves, pode ter duração máxima de até três anos.

Enquanto as investigações prosseguem, o caso do cão Orelha segue como símbolo de indignação e debate público sobre violência contra animais, responsabilidade legal de adolescentes e a atuação do Estado na prevenção de crimes dessa natureza. A Polícia Civil reforça que novas diligências não estão descartadas e que outras medidas poderão ser adotadas à medida que a análise do material apreendido avance.

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