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Cantora Maria Alcina tem partida confirmada e fãs estão arrasados

A cena cultural luso-brasileira amanheceu mais silenciosa nesta semana. Faleceu, aos 86 anos, no Rio de Janeiro, a cantora Maria Alcina Pinto da Costa Duarte, nome que atravessou décadas levando o fado para além do Atlântico e ajudando a moldar uma identidade musical compartilhada entre Portugal e Brasil. Não era apenas uma voz afinada ou uma presença elegante de palco. Maria Alcina representava uma memória viva, dessas que a gente escuta e sente, mesmo sem perceber.

Conhecida carinhosamente como a “imperatriz do fado”, ela construiu uma carreira rara, marcada pela constância e pelo respeito às raízes. Em tempos em que a música muda rápido e os modismos passam quase sem deixar vestígios, Maria Alcina fez o caminho inverso: permaneceu. Defendeu o fado com delicadeza, emoção contida e aquela melancolia típica que não entristece, mas convida à reflexão.

Natural de Castro Daire, no norte de Portugal, desembarcou no Brasil em 1953. Era jovem, cheia de planos, e encontrou em solo brasileiro um público atento e curioso. Não demorou para se firmar como referência, especialmente nos palcos do Rio de Janeiro, cidade que a acolheu como filha adotiva. Ao longo dos anos, sua presença tornou-se habitual em casas culturais, festivais e eventos ligados à comunidade portuguesa.

O Clube Português de Niterói, uma das instituições mais próximas de sua trajetória, decretou luto oficial. Em nota, destacou que, embora portuguesa de nascimento, Maria Alcina era brasileira por afeição. E isso não soa como exagero. Quem a viu cantar sabia que havia ali uma entrega sincera, quase íntima, como se cada verso fosse dedicado ao público que a acompanhou por toda a vida.

O Salão Nobre do clube, inclusive, guarda lembranças especiais. Foi ali que a cantora realizou apresentações memoráveis, daquelas que ficam na conversa depois, no café da esquina ou no comentário emocionado de quem esteve presente. Esses momentos ajudaram a fortalecer os laços culturais da colônia lusitana no Brasil e também a despertar o interesse de novos ouvintes pelo fado.

Sua trajetória sempre foi marcada pela elegância. Nada de excessos ou gestos calculados. O fado, em sua interpretação, vinha limpo, direto, sustentado pela emoção certa. Com isso, Maria Alcina ajudou a consolidar um patrimônio imaterial que agora passa a integrar, de forma definitiva, a memória histórica das instituições luso-brasileiras.

As cerimônias de despedida acontecem nesta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, na Barra da Tijuca, na sede da Casa de Trás-os-Montes e da região do Alto Douro. O velório, previsto das 10h às 14h, deve reunir familiares, amigos próximos e membros da comunidade portuguesa para as últimas homenagens. Até o momento, a causa do falecimento não foi detalhada nas notas oficiais.

Em um período em que tanto se fala sobre identidade cultural e pertencimento, a história de Maria Alcina ganha ainda mais significado. Seu legado permanece vivo nas gravações, nas lembranças de quem a ouviu cantar ao vivo e, principalmente, na ponte cultural que ajudou a manter firme entre Brasil e Portugal. A imperatriz do fado se despede, mas sua voz segue ecoando.
 

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