Moraes nega visita de Valdemar Costa Neto a Jair Bolsonaro na Papudinha

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes decidiu negar o pedido de visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está detido no Núcleo de Custódia da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada Papudinha. A decisão mantém restrições já impostas a figuras diretamente ligadas ao núcleo político e partidário do ex-chefe do Executivo, sob o argumento de preservação da segurança institucional e do andamento das investigações em curso.
Segundo o despacho, Moraes considerou que Valdemar é investigado em procedimentos que guardam relação com os mesmos fatos que levaram à condenação e prisão de Bolsonaro. Dessa forma, autorizar o encontro poderia gerar risco de troca de informações sensíveis, alinhamento de versões ou qualquer tipo de interferência indireta em apurações ainda abertas no Supremo Tribunal Federal e em outros órgãos de investigação.
A negativa ocorre no mesmo contexto em que o ministro revisou regras gerais de visitas ao ex-presidente, atendendo parcialmente pedidos da Polícia Militar do Distrito Federal. Moraes autorizou mudanças nos dias de visitação, que passaram a ocorrer em datas específicas, com número limitado de visitantes e sob controle rigoroso da administração penitenciária. Apesar do ajuste no calendário, o veto a determinados nomes foi mantido.
No caso específico de Valdemar Costa Neto, o ministro ressaltou que o dirigente partidário não se enquadra no rol de visitas consideradas essenciais, como familiares próximos, advogados constituídos ou representantes religiosos autorizados previamente. Além disso, o histórico de investigações envolvendo o presidente do PL pesou de forma determinante para a negativa, segundo a decisão.
A defesa de Bolsonaro havia solicitado autorização para visitas de aliados políticos, sob a alegação de que o ex-presidente estaria isolado politicamente e que os encontros teriam caráter pessoal e partidário, sem qualquer relação com processos judiciais. O argumento, porém, não foi acolhido pelo STF, que mantém linha dura quanto ao acesso de lideranças políticas ao ex-presidente enquanto ele cumpre pena.
Aliados de Bolsonaro criticaram a decisão, classificando-a como excessiva e afirmando que há tratamento diferenciado em relação a outros presos de repercussão nacional. Parlamentares ligados ao PL afirmam que o impedimento de visitas políticas dificulta a articulação partidária e enfraquece a comunicação interna da legenda, especialmente em um ano de forte movimentação eleitoral.
Por outro lado, integrantes do Judiciário e fontes próximas ao Supremo avaliam que a medida é coerente com o contexto do processo e com o perfil do custodiado. Bolsonaro, por sua condição de ex-presidente e liderança política ativa, é tratado como preso de alta sensibilidade, o que exige regras excepcionais para evitar qualquer tipo de influência externa indevida.
A decisão de Moraes reforça o cenário de isolamento político parcial de Jair Bolsonaro durante o cumprimento da pena, ao mesmo tempo em que sinaliza que o STF pretende manter controle rigoroso sobre sua rotina carcerária. Até o momento, não há indicação de que o ministro vá rever a negativa, e novos pedidos semelhantes devem ser analisados caso a caso, seguindo o mesmo critério de segurança e preservação das investigações.



