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Servidora vai ao hospital retirar vesícula e fica em estado vegetativo

O que era para ser um procedimento rotineiro, daqueles que entram na agenda do hospital e saem no mesmo dia, virou um divisor de águas na vida da consultora de moda e servidora pública do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Camila Nogueira, de 38 anos. Em agosto de 2025, ela deu entrada em um hospital do Recife para retirar a vesícula e corrigir uma hérnia. Cirurgia considerada simples, de baixo risco, segundo os próprios profissionais da área. Nada indicava que, poucas horas depois, tudo mudaria.

Camila chegou caminhando, consciente, conversando. Segundo a família, não apresentava doenças prévias nem qualquer condição que levantasse alerta. Era ativa, organizada, mãe presente de dois filhos pequenos. Saiu do centro cirúrgico em uma situação que ninguém estava preparado para enfrentar. Desde então, depende integralmente de ajuda para todas as atividades do dia a dia e permanece internada em UTI.

O marido, Paulo Menezes, resume a transformação de forma dolorosa. Ele diz que a esposa passou de uma mulher “desenrolada”, cheia de planos, para alguém que hoje vive entre estados de consciência muito limitados. “Se ela ficar sozinha por 24 horas, não sobrevive”, desabafou. O casal tem Arthur, de seis anos, e Marina, de apenas dois. As crianças, segundo ele, sentem a ausência da mãe de maneiras diferentes, cada uma à sua forma.

O caso ganhou contornos ainda mais delicados quando surgiram os relatos sobre o que teria acontecido durante o procedimento. A família afirma que Camila sofreu uma parada cardiorrespiratória no centro cirúrgico, o que teria provocado danos neurológicos permanentes. Para os parentes, o episódio poderia ter sido evitado.

O pai de Camila, Roberto Wanderley Nogueira, desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, decidiu não se calar. Em entrevistas, afirmou que a família não busca sigilo, mas justamente o contrário: tornar o caso público para evitar que outras pessoas passem pelo mesmo. Segundo ele, há documentos que indicam falhas graves na condução do procedimento.

Em dezembro, os advogados da família protocolaram uma representação no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco. No documento, pedem o afastamento e a cassação do registro das três médicas que integravam a equipe. A alegação central é de negligência, com falhas na avaliação prévia, atrasos no reconhecimento de sinais críticos e inconsistências em registros médicos.

De acordo com a defesa, houve troca da anestesista pouco antes da cirurgia, e a ficha pré-anestésica só teria sido preenchida com o procedimento já em andamento. Alarmes de equipamentos teriam indicado dificuldades respiratórias por vários minutos antes que a situação fosse, de fato, enfrentada como emergência.

Enquanto o processo segue em sigilo, como prevê o código ético da profissão, a família vive uma rotina completamente diferente daquela que tinha até então. Paulo relata que precisou aprender tudo sozinho: cuidar da casa, dos filhos, lidar com hospitais e decisões difíceis. “Eu virei pai e mãe ao mesmo tempo”, disse, emocionado ao lembrar de momentos em que músicas e pequenas lembranças fazem as crianças chorarem de saudade.

O Conselho Regional de Medicina informou que as denúncias estão sendo apuradas dentro dos trâmites legais e que não pode comentar detalhes. As defesas das médicas citadas ainda não se manifestaram publicamente.

Enquanto isso, a história de Camila segue como um alerta silencioso. Um lembrete de que, mesmo em procedimentos considerados simples, atenção, protocolo e cuidado nunca podem ser tratados como detalhe. Para essa família, o preço de uma falha foi alto demais.

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