Um em cada três beneficiários do Bolsa Família não quer reeleição de Lula, diz pesquisa

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 29, trouxe novos elementos para o debate político que já começa a ganhar espaço nas conversas de rua, nas redes sociais e nos bastidores de Brasília. Segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas, uma parcela significativa dos brasileiros demonstra resistência à ideia de um quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dado chama atenção, especialmente quando se observa o recorte entre beneficiários do Bolsa Família.
De acordo com o estudo, um terço das pessoas que recebem o benefício social afirma que Lula não merece ser reeleito. Entre os beneficiários, 63,3% dizem apoiar a continuidade do presidente no cargo, enquanto 33,3% se posicionam contra. O número surpreende parte dos analistas, já que o Bolsa Família costuma ser associado a uma base eleitoral historicamente ligada ao petista.
Quando o foco se desloca para quem não participa do programa, o cenário muda de forma mais acentuada. Nesse grupo, a rejeição à reeleição chega a 55,3%, contra 40,8% que apoiam um novo mandato. Os dados sugerem que, fora do alcance direto das políticas de transferência de renda, o governo enfrenta mais resistência do que apoio.
No panorama geral da pesquisa, 51% dos entrevistados afirmam que Lula não merece ser reeleito, enquanto 45,3% aprovam a renovação do mandato. Outros 3,8% preferiram não opinar ou disseram não saber responder. É uma diferença relativamente apertada, mas suficiente para indicar um país dividido, com opiniões que variam bastante conforme região, idade e nível de escolaridade.
O recorte regional reforça essa leitura. No Sul do país, a rejeição ao presidente é mais elevada, alcançando 58,1% dos entrevistados. Já no Nordeste, tradicional reduto eleitoral do petista, o apoio é majoritário: 57,1% defendem a reeleição. Essa diferença regional não é novidade, mas volta a aparecer com força no levantamento, refletindo realidades econômicas, sociais e políticas distintas.
A idade também pesa na avaliação. Entre os jovens de 16 a 24 anos, Lula encontra seu único grupo etário em que a aprovação da reeleição supera a rejeição, com 50,8% de apoio. Nas demais faixas etárias, o índice cai, indicando que parte do eleitorado mais velho demonstra maior ceticismo em relação à continuidade do atual governo.
Outro dado relevante aparece no nível de escolaridade. O apoio ao presidente é maioria apenas entre eleitores que cursaram até o ensino fundamental, grupo no qual 53,8% defendem um novo mandato. Conforme o grau de instrução aumenta, a resistência à reeleição também cresce, um movimento que costuma ser observado em outras pesquisas de opinião recentes.
O levantamento ouviu 2.080 eleitores em 160 municípios, distribuídos por todos os estados e pelo Distrito Federal, entre os dias 25 e 28 de janeiro de 2026. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob o número BR-08254/2026.
Mais do que antecipar cenários eleitorais, os números ajudam a entender o humor do eleitorado neste momento. Eles mostram que o apoio ao presidente existe, mas não é homogêneo nem automático, nem mesmo entre públicos historicamente próximos ao governo. Em um país de dimensões continentais e opiniões diversas, a disputa pelo convencimento promete ser intensa nos próximos meses.



