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Caso Bacabal: delegado refuta boato sobre venda de crianças desaparecidas

O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabely, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completou 23 dias nesta semana, mantendo a cidade de Bacabal, no Maranhão, em estado de apreensão e mobilização contínua. As buscas pelas crianças seguem em andamento desde o início de janeiro, quando elas foram vistas pela última vez na região do quilombo São Sebastião dos Pretos, zona rural do município. O caso ganhou grande repercussão local e passou a ser alvo de intensa circulação de informações nas redes sociais, muitas delas sem qualquer lastro na apuração oficial.

Diante da propagação de boatos, o delegado Ederson Martins, responsável pela investigação, veio a público para desmentir categoricamente a versão de que as crianças teriam sido vendidas pela própria mãe e pelo padrasto. Segundo ele, não há qualquer indício que aponte para envolvimento dos responsáveis legais em crimes contra os irmãos. Ambos já prestaram depoimento à polícia e foram ouvidos na condição de testemunhas, não de suspeitos.

De acordo com o delegado, uma das informações falsas que mais se espalharam nos últimos dias aponta para uma suposta venda das crianças pelo valor de R$ 35 mil, com direito a transferência bancária identificada pela polícia. Essa narrativa, segundo as autoridades, é completamente infundada. Não há registro de transações suspeitas, nem qualquer elemento concreto que sustente a tese de tráfico de crianças no caso específico de Ágatha e Allan.

As fake news, segundo a investigação, têm causado prejuízos diretos ao trabalho policial. Além de desinformar a população, elas desviam o foco das buscas, alimentam acusações sem provas e geram sofrimento adicional aos familiares. O próprio delegado alertou que esse tipo de conteúdo atrapalha a coleta de informações relevantes e pode comprometer a colaboração da comunidade, essencial em casos de desaparecimento infantil.

Não é a primeira vez que informações falsas surgem desde o sumiço das crianças. Em episódios anteriores, boatos sobre supostas localizações, sequestros e até mortes circularam em grupos de mensagens e redes sociais. A situação se agravou a ponto de o prefeito de Bacabal se manifestar publicamente, pedindo que a população não compartilhasse conteúdos não verificados e confiasse apenas nos comunicados oficiais das autoridades.

Enquanto isso, as buscas seguem com apoio de diferentes forças de segurança e moradores da região. Equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e voluntários continuam realizando varreduras em áreas de mata, estradas vicinais e pontos indicados por denúncias que, após verificação, sejam consideradas minimamente plausíveis. A área onde as crianças desapareceram é extensa e de difícil acesso, o que torna o trabalho ainda mais complexo e demorado.

O delegado Ederson Martins reforçou que todas as linhas de investigação permanecem abertas, exceto aquelas que já foram descartadas por absoluta falta de provas, como a acusação de tráfico envolvendo os familiares. Segundo ele, a prioridade é localizar Ágatha e Allan e esclarecer, com base em fatos, o que realmente aconteceu no dia do desaparecimento. A polícia também apura se houve falha de vigilância ou se terceiros podem ter tido contato com as crianças naquele período.

As autoridades voltaram a pedir cautela à população, destacando que compartilhar boatos pode gerar consequências graves, inclusive legais, além de ampliar o sofrimento de uma família que já enfrenta semanas de angústia e incerteza. A orientação é clara: qualquer informação deve ser repassada diretamente à polícia, e não divulgada de forma irresponsável nas redes sociais. Enquanto respostas concretas não surgem, Bacabal segue em expectativa, com a esperança de que o desfecho do caso traga, acima de tudo, verdade e justiça.

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