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PM pede a Moraes mudança em dia de visita e liberação de caminhada para Bolsonaro

A Polícia Militar do Distrito Federal encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, um pedido formal para alterar a rotina de custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro no Complexo Penitenciário da Papuda, onde ele cumpre pena relacionada ao plano de golpe de Estado. No documento, a corporação solicita a mudança do dia de visitação do ex-presidente e a autorização para a realização de caminhadas controladas dentro da unidade prisional, além da ampliação da assistência religiosa a outros detentos classificados como custodiados sensíveis.

O ofício foi assinado pela comandante-geral da PM, Ana Paula Barros, e argumenta que a atual dinâmica de visitas, concentrada às quintas-feiras, amplia riscos à segurança institucional. Segundo a corporação, o dia útil concentra maior circulação de servidores, trâmites administrativos e coincide com o calendário de visitas de outros presos da Papudinha, o que dificulta a segregação adequada de ambientes e o controle rigoroso de acesso e deslocamento de pessoas dentro do complexo.

De acordo com a justificativa apresentada, a transferência das visitas para o sábado reduziria significativamente o fluxo interno, permitiria uma logística mais previsível e diminuiria os riscos operacionais envolvidos na custódia de presos com alta exposição pública. A PM defende que a alteração não se restringiria a Jair Bolsonaro, mas se estenderia a todos os custodiados considerados sensíveis, criando um padrão mais seguro para a administração penitenciária.

Além da mudança no calendário de visitas, a Polícia Militar também solicitou autorização para liberar caminhadas ao ex-presidente, de forma controlada, em áreas previamente definidas e consideradas adequadas sob o ponto de vista da segurança. Entre os locais sugeridos estão o campo de futebol e a pista asfaltada localizada nos fundos da unidade. Segundo a PM, esses espaços oferecem melhores condições de vigilância, visibilidade e resposta rápida em caso de necessidade, além de evitar qualquer contato com outros presos.

A solicitação das caminhadas atende a um pedido direto de Jair Bolsonaro, respaldado por recomendação médica. Desde o atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, o ex-presidente passou por diversas cirurgias e tratamentos. O procedimento mais recente ocorreu em dezembro do ano passado, quando ele foi submetido a uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral. Após a alta, a equipe médica indicou uma série de cuidados, incluindo controle rigoroso da pressão arterial, uso contínuo de medicamentos, dieta fracionada e prevenção de quedas, o que embasou a indicação de atividade física leve.

No mesmo ofício, a PM também trata da assistência religiosa. Moraes já havia autorizado que Bolsonaro recebesse acompanhamento religioso uma vez por semana após sua transferência da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha. Agora, a corporação pede que esse direito seja estendido a outros custodiados sensíveis, ressaltando que a capelania da PMDF já presta assistência regularmente nas vertentes católica e evangélica, respeitando critérios administrativos e de segurança.

Outro ponto abordado no documento diz respeito à distribuição de medicamentos ao ex-presidente. A PM informou ao ministro que o procedimento segue um padrão aplicado a todos os custodiados do núcleo e, em alguns casos, conta com o apoio de presos do regime semiaberto, como forma de remição de pena. Segundo a corporação, todo o processo ocorre sob supervisão direta do efetivo policial responsável, sem qualquer privilégio específico ou quebra de protocolo.

Os pedidos agora aguardam análise de Alexandre de Moraes, que concentra as decisões relacionadas à execução da pena do ex-presidente. O caso segue cercado de atenção política e institucional, tanto pelo simbolismo da custódia de um ex-chefe do Executivo quanto pelos impactos que cada decisão pode gerar no debate público. Enquanto isso, a Polícia Militar sustenta que as solicitações têm caráter técnico e preventivo, com foco na segurança do sistema prisional e no cumprimento adequado das determinações legais.

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