Nikolas agradece Michelle por ser chamado de “filho 06” de Bolsonaro

O cenário político brasileiro segue movimentado neste fim de janeiro de 2026, especialmente no campo da direita. Nesta quarta-feira (28), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) comentou publicamente a mensagem publicada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, na qual ele foi chamado de “filho 06” do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração, que rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais, gerou interpretações variadas e abriu espaço para novas leituras sobre os rumos do bolsonarismo.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Nikolas tratou de colocar panos quentes na situação. Segundo ele, a publicação foi recebida como um gesto de carinho e reconhecimento, especialmente pelo apoio que recebeu após a caminhada realizada até Brasília no último domingo, dia 25. O parlamentar mineiro fez questão de afastar qualquer especulação de que a mensagem teria como pano de fundo uma tentativa de rivalidade ou disputa interna envolvendo Flávio Bolsonaro, senador e filho mais velho do ex-presidente.
Para Nikolas, a escolha de Jair Bolsonaro por Flávio como nome da família para disputar o Palácio do Planalto já está definida e não é motivo de debate dentro do grupo mais próximo ao ex-presidente. Ele reforçou que, apesar das divergências naturais, não existe uma guerra interna declarada, mas sim diferentes visões sobre estratégia política e construção de alianças.
Durante a entrevista, o deputado usou uma metáfora para explicar o momento vivido pela direita. Comparou o campo político a um corpo humano, em que cada parte tem uma função específica. Segundo ele, o ideal seria que todas essas partes estivessem em plena harmonia, algo que ainda não acontece completamente. Ainda assim, Nikolas ponderou que esse tipo de desorganização é comum e não exclusiva da direita, já que a esquerda também enfrenta seus próprios conflitos internos.
Esse discurso surge em um contexto delicado para o projeto político liderado pelo clã Bolsonaro. Mesmo com a bênção do ex-presidente, que segue inelegível, a pré-candidatura de Flávio enfrenta resistência tanto dentro da própria direita quanto entre partidos do chamado centrão. A consolidação do nome depende de articulações complexas e da construção de uma base mais ampla de apoio no Congresso.
Na última semana, esse cenário ficou ainda mais evidente após declarações do deputado federal Marcos Pereira (Republicanos-SP), presidente nacional do Republicanos e uma das principais lideranças do centro político. Pereira afirmou que o apoio ao filho do ex-presidente ainda não está garantido no campo da direita, sinalizando que a definição do tabuleiro eleitoral segue em aberto.
Enquanto isso, figuras como Nikolas Ferreira ganham espaço e visibilidade, especialmente entre o público mais jovem e engajado nas redes sociais. A relação próxima com a família Bolsonaro, reforçada por gestos simbólicos como o de Michelle, acaba alimentando debates e interpretações diversas, mesmo quando os envolvidos tentam minimizar qualquer leitura de disputa.
O episódio ilustra bem o momento de transição vivido pela direita brasileira: um campo político que ainda busca unidade, enfrenta resistências internas e externas, e tenta reorganizar suas lideranças diante de um cenário eleitoral que se desenha aos poucos. Até lá, gestos, declarações e alianças continuarão sendo analisados com lupa por aliados, adversários e eleitores atentos aos próximos passos.



