PMDF defende que Bolsonaro tenha visita aos sábados e faça caminhada

O encerramento de janeiro de 2026 também tem sido marcado por novos desdobramentos no cenário político e institucional do país. Em Brasília, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido solicitando ajustes no regime de custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente se encontra detido no Complexo da Papuda, na ala conhecida como Papudinha.
De acordo com o documento enviado ao Supremo, a corporação propõe duas mudanças principais: a transferência do dia de visitas para os sábados e a autorização para que o ex-presidente realize caminhadas em áreas previamente delimitadas e sob rígido controle. As solicitações foram formuladas após avaliações internas sobre segurança e logística, levando em conta o perfil do custodiado e a estrutura da unidade prisional.
A PMDF classifica Bolsonaro como um “custodiado sensível”, expressão utilizada para detentos cujo histórico funcional, projeção pública e repercussão do caso exigem cuidados adicionais. O entendimento da corporação é de que o cargo anteriormente ocupado pelo ex-presidente, somado à polarização política ainda presente no país, eleva o risco de situações imprevistas, tanto para o próprio custodiado quanto para servidores e visitantes.
Um dos pontos centrais do pedido é a alteração do dia de visita. Atualmente, as visitas ocorrem às quintas-feiras, coincidindo com a rotina administrativa da unidade e com o dia reservado para outros presos. Segundo a PMDF, esse cenário gera maior circulação de pessoas, o que dificulta a segregação adequada dos espaços e o controle minucioso dos acessos. Aos sábados, por outro lado, há uma redução significativa do fluxo interno, ausência de expediente administrativo regular e maior previsibilidade operacional.
“Aos sábados, verifica-se redução expressiva do fluxo interno, inexistência de expediente administrativo regular e ausência de coincidência com o dia de visita dos demais custodiados”, destaca o ofício enviado ao STF. Na avaliação da corporação, a mudança não traria prejuízo ao direito de visita, mas contribuiria para um ambiente mais seguro e organizado.
Outro ponto abordado é a possibilidade de Bolsonaro realizar caminhadas supervisionadas. A proposta prevê que a atividade ocorra em locais específicos, como o campo de futebol ou uma pista asfaltada nos fundos do complexo, sempre com escolta permanente e sem qualquer contato com outros detentos. A solicitação leva em consideração recomendações médicas e busca conciliar cuidados com a saúde e a manutenção da ordem interna.
Ainda segundo a PMDF, esses espaços oferecem melhores condições de visibilidade e controle, permitindo vigilância contínua e pronta intervenção, caso necessário. O documento reforça que a medida teria baixo impacto operacional e não representaria flexibilização indevida das regras da unidade.
O ofício também menciona a possibilidade de extensão da assistência religiosa ao ex-presidente, nos mesmos moldes adotados para outros custodiados, com acompanhamento da capelania da PMDF e supervisão policial. A corporação enfatiza que todas as medidas propostas têm caráter preventivo e não configuram privilégio.
Jair Bolsonaro está preso após condenação do Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de reclusão, em razão de sua participação na trama golpista que culminou nos ataques às sedes dos Três Poderes. Recentemente, ele foi transferido da Superintendência da Polícia Federal para o Complexo da Papuda, por determinação do ministro Alexandre de Moraes.
O pedido agora aguarda análise do STF, que decidirá se as mudanças sugeridas serão autorizadas. Enquanto isso, o tema segue sendo acompanhado de perto por autoridades, juristas e pela opinião pública.



