BBB26: a babá foi acusada de intolerância religiosa e agora é alvo de investigação policial

Milena, participante do time Pipoca do BBB 26, passou a ocupar o centro das atenções fora da casa após se tornar alvo de uma investigação policial. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e em portais de notícias depois que veio à tona uma acusação de intolerância religiosa relacionada a um episódio ocorrido durante a primeira Prova do Líder da temporada. A situação ampliou o debate sobre limites de linguagem em programas de grande audiência e sobre a responsabilidade pública de participantes de reality shows.
O episódio aconteceu no dia 13 de janeiro, durante uma prova de resistência que marcou o início da disputa pelo primeiro posto de liderança do BBB 26. Após deixar a dinâmica, Milena se referiu à adversária Sol Vega com a expressão “bruxa velha”, em um contexto de discussão que já vinha se desenhando ao longo da prova. O comentário foi registrado pelas câmeras do programa e rapidamente repercutiu entre o público, gerando reações divididas nas redes sociais.
A fala chamou a atenção de representantes de entidades religiosas, que entenderam o termo como uma possível ofensa de cunho religioso. Og Sperle, representante da União Wicca do Brasil e de conselhos ligados à promoção da liberdade religiosa, decidiu formalizar uma denúncia contra a participante. A iniciativa levou o caso para além do âmbito do entretenimento, transformando o episódio em um assunto de natureza jurídica e institucional.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Fábia Oliveira, no portal Metrópoles, o boletim de ocorrência foi registrado com base na Lei nº 7.716, de 1989, especificamente no artigo 20. Esse dispositivo legal trata de crimes resultantes de preconceito relacionado a raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. No entendimento apresentado na denúncia, a fala atribuída a Milena poderia se enquadrar como intolerância religiosa.
O registro aponta como partes lesadas a União Wicca do Brasil, o Conselho Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa e o Conselho Municipal pela Liberdade Religiosa. A argumentação central é de que o uso do termo “bruxa” de forma pejorativa ultrapassa o campo da ofensa pessoal e atinge diretamente uma tradição religiosa reconhecida no país. A bruxaria, segundo os representantes, possui caráter religioso e é protegida pelo ordenamento jurídico brasileiro.
Especialistas ouvidos em casos semelhantes costumam destacar que o contexto e a intenção da fala são elementos analisados em investigações desse tipo. Ainda assim, o simples registro da ocorrência já evidencia como expressões utilizadas em ambientes de grande visibilidade podem ter repercussões legais. Reality shows como o BBB ampliam falas individuais para milhões de espectadores, o que potencializa interpretações e impactos sociais.
Enquanto a investigação segue seus trâmites, o caso reacende discussões sobre intolerância religiosa, liberdade de expressão e responsabilidade pública. A situação envolvendo Milena mostra como conflitos surgidos em um jogo televisivo podem extrapolar a tela e alcançar esferas institucionais. O desdobramento do episódio deve continuar sendo acompanhado de perto, tanto pelo público do BBB 26 quanto por entidades que atuam na defesa da diversidade religiosa no Brasil.



