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Nikolas Ferreira detona idolatria por Bolsonaro após caminhada

O debate interno no campo da direita voltou a ganhar espaço nos últimos dias, especialmente após declarações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos nomes mais populares do bolsonarismo nas redes sociais. Em entrevista concedida nesta segunda-feira, 26, ao podcast do Pânico, na Jovem Pan, o parlamentar fez um alerta direto ao próprio público que o acompanha: segundo ele, a transformação de líderes políticos em figuras intocáveis pode afastar apoiadores e enfraquecer o movimento.

Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Nikolas não negou o peso político do ex-mandatário. Pelo contrário, reafirmou que Bolsonaro segue como a principal liderança da direita no Brasil. No entanto, ponderou que isso não significa concordância absoluta com todas as posições defendidas por ele. Para o deputado, a exigência de fidelidade total cria um ambiente de intolerância dentro do próprio grupo.

“O Bolsonaro é o maior líder da direita, mas agora as pessoas acham que temos de concordar 100% com ele, senão somos traidores. Esse tipo de postura afasta as pessoas”, afirmou Nikolas durante a conversa, em tom crítico, mas sem romper com o aliado.

A declaração veio um dia depois de um ato político liderado pelo próprio deputado, que teve início com uma caminhada até Brasília. A mobilização reuniu apoiadores e teve como principal bandeira o pedido de liberdade para pessoas presas por envolvimento nos atos de 8 de Janeiro. O tema segue sendo um dos mais sensíveis para a base bolsonarista e costuma gerar reações intensas, tanto entre apoiadores quanto entre críticos.

Durante a entrevista, Nikolas também rejeitou a ideia de que figuras políticas devam ser vistas como salvadores da pátria. Segundo ele, esse tipo de expectativa é perigoso e pouco realista. “Se você está achando que na minha figura ou na figura de qualquer outra pessoa nós somos uma figura messiânica no sentido de trazer salvação para o Brasil, você não entendeu nada”, disse, reforçando a necessidade de maturidade política por parte do eleitorado.

O posicionamento chama atenção porque parte de alguém que construiu sua imagem justamente dialogando com um público altamente engajado. Nikolas Ferreira se tornou conhecido nacionalmente pelo discurso direto, pelo uso estratégico das redes sociais e pela capacidade de mobilização. Eleito deputado federal em 2022, já filiado ao PL, o mineiro alcançou um feito histórico: obteve 1.492.047 votos, a maior votação já registrada em Minas Gerais para a Câmara dos Deputados.

Apesar da proximidade com Bolsonaro, Nikolas tem buscado, nos últimos meses, marcar uma identidade própria dentro do campo conservador. As falas recentes indicam uma tentativa de ampliar o diálogo e evitar rachas internos, num momento em que a direita tenta se reorganizar politicamente para os próximos anos.

O recado, ao que tudo indica, não foi direcionado aos adversários, mas ao próprio público fiel. Em um cenário de polarização intensa, a fala do deputado reacende uma discussão antiga, mas sempre atual: até que ponto a lealdade política pode se transformar em cegueira ideológica?

Enquanto o debate segue nas redes e nos bastidores de Brasília, a declaração de Nikolas Ferreira mostra que, mesmo entre aliados, há espaço para discordância. E, segundo ele próprio, reconhecer isso pode ser mais um passo para fortalecer, e não enfraquecer, o campo político que representa.

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