Surge novo relato sobre paradeiro de crianças desaparecidas de Bacabal em São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo passou a investigar uma denúncia que reacendeu as esperanças no caso do desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, irmãos que sumiram há mais de três semanas em Bacabal, no Maranhão. Segundo informações repassadas às autoridades, as duas crianças teriam sido vistas no último sábado em um hotel localizado no bairro da República, região central da capital paulista. A partir do relato, equipes iniciaram diligências no local indicado para verificar a veracidade da informação.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo confirmou que a polícia maranhense foi formalmente comunicada sobre a nova pista. A apuração ocorre de forma integrada entre os dois estados, com troca de informações e checagem de registros, imagens e depoimentos. O objetivo é confirmar se as crianças realmente estiveram no hotel e, em caso positivo, identificar quem as acompanhava e como elas teriam saído do Maranhão até São Paulo.
Ágatha e Allan desapareceram no dia 4 de janeiro, enquanto brincavam nas proximidades do Quilombo São Sebastião dos Pretos, área rural de Bacabal. Desde então, o caso mobilizou uma grande força-tarefa e comoveu moradores da cidade e de municípios vizinhos. O sumiço repentino das crianças deu início a uma das maiores operações de busca já registradas na região, envolvendo diferentes forças de segurança.
Durante os primeiros dias, as buscas se concentraram em áreas de mata, rios e terrenos de difícil acesso. Cães farejadores foram utilizados e conseguiram localizar vestígios das crianças em uma cabana abandonada conhecida como “casa caída”, no povoado São Raimundo. A descoberta indicou que os irmãos teriam passado pelo local, o que levou os investigadores a ampliar o perímetro das buscas e reforçar a presença de equipes especializadas.
Ao longo das semanas, policiais civis, bombeiros, militares do Exército e da Marinha atuaram de forma conjunta. Mais de 500 pessoas participaram da operação, que percorreu uma área superior a 200 quilômetros, incluindo trechos de mata fechada e margens do Rio Mearim. Apesar do esforço intenso, nenhum vestígio conclusivo foi encontrado que esclarecesse o paradeiro das crianças.
Com o passar do tempo e a ausência de novas pistas concretas, a Polícia Civil do Maranhão passou a trabalhar com três principais linhas de investigação. A primeira considera a possibilidade de as crianças terem se perdido na mata ou se aproximado do rio, hipótese que ganhou força após o resgate de Anderson, um menino encontrado dias depois, desidratado e com significativa perda de peso. A segunda hipótese, de sequestro, perdeu força após denúncias falsas serem descartadas, embora a Polícia Rodoviária Federal continue fiscalizando rodovias. Já a terceira, que envolve ataque animal ou afogamento, foi enfraquecida após a conclusão das buscas fluviais sem indícios compatíveis.
Diante desse cenário, a estratégia de atuação foi ajustada. As buscas ostensivas passaram a ser reduzidas, dando lugar a um foco maior na investigação criminal, análise de informações e checagem de denúncias. Mesmo assim, as autoridades ressaltam que as equipes seguem em prontidão e que operações de campo podem ser retomadas imediatamente caso surjam novos elementos.
É nesse contexto que a denúncia envolvendo São Paulo ganha relevância. Caso seja confirmada, a informação pode mudar completamente o rumo da investigação e abrir uma nova frente de apuração, agora em ambiente urbano e fora do estado de origem das crianças. A polícia trabalha com cautela para evitar conclusões precipitadas, já que o caso já registrou pistas que não se confirmaram no passado.
Enquanto as investigações avançam, o clima em Bacabal segue marcado por angústia e tristeza. Familiares vivem dias de espera e incerteza, alimentados por cada nova informação que surge. A Prefeitura da cidade mantém a oferta de uma recompensa de R$ 20 mil para quem apresentar dados concretos que levem ao paradeiro de Ágatha e Allan, na tentativa de estimular denúncias que realmente contribuam para a elucidação do caso.
A comoção se estende para além do Maranhão. O desaparecimento dos irmãos ganhou repercussão nacional, mobilizando redes sociais e acompanhamentos constantes da imprensa. Agora, com a apuração em andamento em São Paulo, cresce a expectativa por respostas que possam, finalmente, esclarecer o que aconteceu com as crianças e colocar fim a uma busca que já dura mais de vinte dias.



