Mesmo após feridos por raio, Nikolas mantém discurso político e cobra CPIs

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) encerrou neste domingo (25) a caminhada que partiu de Minas Gerais e culminou em uma grande manifestação na Praça do Cruzeiro, em Brasília. O evento, que reuniu milhares de apoiadores sob forte chuva, ficou marcado por um incidente grave momentos antes do discurso principal: a queda de um raio nas proximidades do local, que deixou dezenas de pessoas feridas e mobilizou equipes de resgate. Ainda assim, o parlamentar seguiu com sua fala sem mencionar diretamente o ocorrido.
Antes da chegada de Nikolas ao carro de som, o temporal que atingia o Distrito Federal se intensificou, provocando pânico entre os participantes. Bombeiros precisaram montar estruturas emergenciais para atendimento médico, e diversas pessoas foram encaminhadas a hospitais da capital. Segundo informações oficiais divulgadas ao longo da tarde, não houve registro de mortes, mas dezenas de pessoas precisaram de atendimento por diferentes causas relacionadas ao clima extremo.
Mesmo diante do cenário, o discurso do deputado manteve foco exclusivamente político. Nikolas concentrou sua fala em críticas ao governo federal, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à condução do Congresso Nacional. Um dos principais alvos foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acusado pelo parlamentar de omissão diante de denúncias que, segundo ele, deveriam ser investigadas por Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs).
Entre os pedidos feitos no palco, Nikolas cobrou a instalação de uma CPMI para apurar irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e outra relacionada ao Banco Master. O deputado também mencionou contratos envolvendo familiares de autoridades do Judiciário, defendendo que os fatos precisam ser esclarecidos para garantir transparência e responsabilização. As declarações foram recebidas com aplausos e gritos de apoio do público presente.
O tom do discurso seguiu a linha adotada ao longo da semana de caminhada, iniciada em Paracatu (MG). O parlamentar afirmou que a mobilização tinha como objetivo “despertar” a população e estimular engajamento político. Em diversos momentos, ele incentivou os participantes a levarem a mensagem a outras regiões do país, incluindo escolas e comunidades, usando a expressão “acordar outras pessoas” como slogan recorrente.
Uma das falas que mais repercutiram foi direcionada ao Nordeste. Nikolas afirmou que a região “vai acordar” e “ser livre”, defendendo que partidos adversários se mantiveram fortes por falta de presença política de seus opositores. O discurso, com forte carga simbólica, foi entoado ao som de gritos e palavras de ordem vindas do público, que respondia de forma sincronizada.
O ato final em Brasília repetiu características de eventos políticos vistos durante a campanha presidencial de 2022. Grades metálicas formaram um corredor até o carro de som, enquanto militantes vestidos de verde e amarelo seguravam bandeiras do Brasil, símbolos religiosos e referências internacionais. A organização ficou a cargo da deputada federal Bia Kicis (PL-DF), com apoio de parlamentares e lideranças alinhadas ao bolsonarismo.
A manifestação também funcionou como vitrine política para integrantes da família Bolsonaro. Carlos Bolsonaro participou presencialmente da caminhada em alguns trechos, enquanto outros nomes apareceram de forma indireta, por meio de mensagens, vídeos ou citações em discursos e músicas tocadas no local. O senador Flávio Bolsonaro, apontado por apoiadores como possível candidato ao Planalto, não compareceu, mas teve seu nome frequentemente mencionado pelos manifestantes.
Em paralelo ao ato em Brasília, grupos bolsonaristas realizaram manifestações em outras capitais, como São Paulo, onde apoiadores se concentraram na Avenida Paulista. As pautas eram semelhantes: críticas ao STF, pedidos de anistia para condenados pelos atos de 8 de janeiro e manifestações contrárias à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente detido no Complexo da Papuda.
Apesar do grande público e da mobilização nacional, o encerramento da caminhada acabou ofuscado pelo incidente climático. O fato de o discurso principal não mencionar os feridos gerou críticas e reações nas redes sociais, levantando questionamentos sobre a responsabilidade da organização em manter o evento mesmo diante das condições adversas. Ainda assim, aliados do deputado defenderam que o ato cumpriu seu objetivo político e ampliou o alcance de suas pautas.



