Ato liderado por Nikolas tem 72 pessoas atendidas após série de ocorrências

O ato político realizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na tarde deste domingo, na Praça do Cruzeiro, em Brasília, terminou marcado por uma sequência de ocorrências médicas que mobilizaram fortemente o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Ao todo, 72 pessoas precisaram ser socorridas durante a manifestação, que coincidiu com um período de forte chuva, queda acentuada de temperatura, ventos intensos e a ocorrência de uma descarga atmosférica que atingiu diretamente a área do evento.
De acordo com informações oficiais do Corpo de Bombeiros, a maior parte dos atendimentos esteve relacionada a quadros de hipotermia. Os manifestantes permaneceram por longos períodos expostos à chuva e ao frio, especialmente nos quilômetros finais da caminhada, o que levou muitos a apresentarem tremores, fraqueza e sinais claros de perda de temperatura corporal. As equipes de resgate utilizaram mantas térmicas e realizaram atendimentos no próprio local para estabilizar os participantes.
Além da hipotermia, também foram registrados diversos casos de torções e quedas, consequência direta do solo escorregadio e da aglomeração de pessoas sob condições climáticas adversas. Segundo o capitão Robson, responsável pela operação de atendimento, das 72 pessoas socorridas, 42 receberam atendimento no local e 30 precisaram ser transportadas para unidades de saúde da capital. O quadro geral, no entanto, foi considerado controlado pelas autoridades de emergência.
O episódio mais grave ocorreu quando um raio atingiu um guindaste instalado nas proximidades da Praça do Cruzeiro. Após o impacto, a descarga elétrica se dissipou pelo solo e atingiu manifestantes que estavam ao redor da estrutura. Oito pessoas foram socorridas especificamente em razão dessa descarga atmosférica, algumas delas apresentando queimaduras nas mãos e na região do tórax, conforme relataram os bombeiros que atuaram no atendimento.
Testemunhas relataram momentos de pânico logo após a queda do raio. Muitas pessoas caíram ao chão ao mesmo tempo, outras acreditaram inicialmente que se tratava de uma explosão ou de um atentado, em razão do forte clarão e do barulho intenso. A confusão se espalhou rapidamente, exigindo uma atuação ágil das equipes de resgate para evitar que a situação se agravasse ainda mais.
Entre os feridos estava a servidora pública Mônica Vidal, de 45 anos, que relatou ter sido atingida pela descarga elétrica. Ela contou que sentiu o corpo perder os movimentos e cair bruscamente no chão após o impacto. Segundo seu relato, o raio foi percebido como uma explosão extremamente forte, capaz de derrubar várias pessoas ao redor ao mesmo tempo. Mônica afirmou que seus braços ficaram rígidos e que, por alguns instantes, teve dificuldade até mesmo para se levantar.
Mesmo ferida, Mônica conseguiu ajudar o marido, Antônio Silva, de 39 anos, que também foi atingido. Ele relatou ter sentido a descarga na região do abdômen e descreveu uma sensação de dor intensa e imobilidade, como se estivesse preso ao chão. O clarão provocado pelo raio, segundo ele, foi tão forte que chegou a pensar que algo havia explodido no local. Ambos foram atendidos no Hospital Regional da Asa Norte e liberados após avaliação médica.
As autoridades informaram que, apesar do número elevado de atendimentos e da gravidade potencial da ocorrência envolvendo o raio, não houve registro de mortes durante a manifestação. Parte das pessoas que apresentaram sintomas mais leves procurou atendimento médico por conta própria, dirigindo-se a hospitais e unidades de pronto atendimento sem a necessidade de transporte pelos bombeiros.
O ato marcou o encerramento da caminhada liderada por Nikolas Ferreira, que percorreu dezenas de quilômetros até chegar à capital federal. Mesmo diante das condições climáticas desfavoráveis, os manifestantes seguiram até o ponto final do evento, o que acabou aumentando a exposição aos riscos causados pelo frio intenso, pela chuva persistente e pelas descargas elétricas comuns neste período do ano no Distrito Federal.
O caso reacendeu discussões sobre a realização de eventos de grande porte em áreas abertas durante temporais, especialmente quando há estruturas metálicas próximas e grande concentração de pessoas. Especialistas em segurança e defesa civil costumam alertar para os riscos de permanência em campo aberto durante tempestades com raios, recomendando a interrupção imediata de atividades ao ar livre nessas circunstâncias.
Apesar do susto e das imagens de pessoas sendo atendidas no local, o Corpo de Bombeiros avaliou que a resposta operacional foi rápida e eficaz, evitando um desfecho mais grave. As equipes permaneceram mobilizadas até a dispersão completa do público, garantindo que novos atendimentos fossem realizados sempre que necessário. A ocorrência, no entanto, deixou claro como fatores climáticos podem transformar rapidamente um ato político em um cenário de alto risco, exigindo atenção redobrada das autoridades e dos organizadores.



