Após ser atingida por raio, mulher descreve situação vivida no local

O ato político organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), realizado neste domingo na Praça do Cruzeiro, em Brasília, terminou marcado por momentos de pânico após a queda de um raio que deixou dezenas de pessoas feridas. A manifestação, que reunia apoiadores vindos de diferentes regiões do país, foi surpreendida por um forte temporal, e a descarga elétrica atingiu diretamente a área onde os manifestantes estavam concentrados, provocando correria, quedas e uma mobilização imediata das equipes de resgate.
Entre as pessoas feridas estava a servidora pública Mônica Vidal, de 45 anos, que relatou ter sentido o impacto de forma intensa e repentina. Segundo ela, o raio foi percebido como uma verdadeira explosão, seguida de um clarão e de um barulho ensurdecedor. No instante seguinte, seu corpo perdeu o controle e caiu ao chão. Mônica descreveu que sentiu os braços enrijecerem, o corpo travar e a sensação de estar completamente vulnerável, sem entender exatamente o que havia acontecido naquele primeiro momento.
O cenário, de acordo com o relato da vítima, foi de completo caos. Muitas pessoas estavam próximas a grades e estruturas metálicas, o que agravou os efeitos da descarga elétrica. Algumas acabaram ficando prensadas umas sobre as outras durante a queda coletiva. Mônica afirmou que pessoas caíram por cima dela e que viu manifestantes com sinais evidentes de choque, incluindo mãos escurecidas após contato com o ferro. O sentimento predominante era de medo extremo, com vários acreditando, num primeiro instante, que se tratava de um atentado.
Mesmo ferida, Mônica conseguiu reunir forças para se levantar e ajudar o marido, Antônio Silva, de 39 anos, que também foi atingido. Ele contou que sentiu a descarga elétrica atingir a região do abdômen e que, por alguns segundos, teve a impressão de estar preso ao chão, sem conseguir se mover. O clarão repentino, segundo ele, trouxe a sensação de que algo havia explodido, e a dor que se seguiu foi comparada a um corte profundo. Para Antônio, a experiência foi tão intensa que ele afirma ter tido a nítida sensação de ter visto a morte de perto.
As equipes do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal foram acionadas rapidamente e iniciaram os atendimentos ainda na praça. Ao todo, 72 pessoas precisaram de algum tipo de socorro, seja no local, seja em unidades de saúde. Mais de 30 foram encaminhadas para hospitais como o Hospital de Base e o Hospital Regional da Asa Norte. Dentre essas, ao menos oito apresentavam ferimentos diretamente associados à descarga elétrica provocada pelo raio. Não houve registro de óbitos até o momento.
Além dos efeitos do raio, muitos manifestantes sofreram com hipotermia, em razão da chuva intensa e da queda brusca de temperatura durante o temporal. Houve também relatos de queimaduras nas mãos e no tórax, especialmente em pessoas que estavam próximas a estruturas metálicas ou ao guindaste que teria sido atingido diretamente pela descarga elétrica. Informações preliminares indicam que o raio atingiu o equipamento e a corrente acabou se espalhando pelo solo e por objetos ao redor, ampliando o número de feridos.
Parte das vítimas buscou atendimento médico por conta própria, sem depender do transporte feito pelos bombeiros. Até o meio da tarde, dezenas de pessoas já haviam dado entrada nas principais unidades de emergência da capital. Algumas precisaram ser encaminhadas para áreas de atendimento mais intensivo, mas, segundo as autoridades de saúde, todas permaneciam em estado estável. Mônica Vidal foi atendida no HRAN e liberada após avaliação médica, embora tenha relatado forte abalo emocional.
O episódio levantou questionamentos sobre a segurança da realização de atos públicos em condições climáticas adversas, especialmente em locais com grande concentração de pessoas e presença de estruturas metálicas. Testemunhas afirmaram que, momentos antes do raio, idosos e crianças haviam deixado a área justamente por conta do aumento da chuva, o que, na avaliação de feridos, evitou uma tragédia ainda maior. A sensação geral entre os presentes foi de que o desfecho poderia ter sido muito mais grave.
Apesar do susto e das consequências físicas e emocionais, as autoridades reforçaram que não houve vítimas fatais, e seguem apurando as circunstâncias exatas do incidente. O caso também reacendeu o debate sobre protocolos de prevenção e evacuação em eventos ao ar livre, especialmente durante o período chuvoso no Distrito Federal, onde tempestades com descargas elétricas são frequentes e podem transformar manifestações políticas em cenários de risco extremo em questão de segundos.



