Morre o empresário Constantino Júnior, fundador da GOL e ex-CEO; causa é exposta

O empresariado brasileiro amanheceu mais silencioso neste sábado, 24 de janeiro de 2026. A confirmação do falecimento de Constantino de Oliveira Júnior, fundador e presidente do conselho de administração da GOL Linhas Aéreas, trouxe um sentimento de perda que ultrapassa o mundo corporativo. Aos 57 anos, o empresário estava internado em um hospital da capital paulista, onde travava, longe dos holofotes, uma longa batalha contra o câncer.
A notícia rapidamente ganhou repercussão entre líderes empresariais, analistas do setor e funcionários da aviação. Não era apenas a partida de um executivo de sucesso, mas o encerramento de um ciclo que ajudou a redesenhar a forma como o brasileiro se relaciona com o transporte aéreo. Para muitos, voar deixou de ser um privilégio distante justamente por causa das decisões tomadas por Constantino Júnior ao longo de sua trajetória.
Foi em 2001 que ele colocou em prática uma ideia considerada ousada para a época: fundar a GOL Linhas Aéreas apostando no modelo de baixo custo e baixa tarifa. Inspirado por experiências internacionais, especialmente de companhias norte-americanas e europeias, Constantino rompeu com padrões tradicionais do mercado nacional. O impacto foi imediato. Passagens mais acessíveis, maior rotatividade de voos e um público que até então só sonhava em viajar de avião passaram a ocupar os assentos.
Antes de ganhar notoriedade no setor aéreo, Constantino já demonstrava habilidade na gestão de transportes terrestres. Como diretor da Comporte Participações, acumulou experiência administrativa e estratégica, criando a base que o levaria a assumir o comando da GOL como CEO, cargo que ocupou até 2012. Mesmo após deixar a função executiva, manteve-se próximo das decisões, sempre atento aos movimentos do mercado.
Nos anos seguintes, sua atuação continuou sendo decisiva. Em 2022, esteve entre os principais articuladores da criação do Grupo ABRA, holding que passou a concentrar as operações da GOL e da Avianca. A iniciativa colocou a nova estrutura entre as maiores forças da aviação na América Latina e mostrou, mais uma vez, sua visão de longo prazo. Constantino entendia que competir em escala global exigia alianças sólidas e planejamento estratégico.
Fora das salas de reunião, havia um outro lado pouco conhecido do empresário. Apaixonado por velocidade, ele encontrava no automobilismo uma forma de extravasar a mesma competitividade que marcava sua carreira. Participava com frequência da Porsche Cup, não apenas como entusiasta, mas como piloto, demonstrando disciplina e foco também nas pistas.
A trajetória de Constantino de Oliveira Júnior deixa marcas profundas na história da infraestrutura brasileira. Ele transitou com naturalidade do transporte terrestre para o domínio do ar, sempre buscando eficiência e inovação. Mesmo enfrentando problemas de saúde, permaneceu ativo na presidência do conselho, acompanhando de perto os rumos das empresas que ajudou a construir.
Agora, o mercado aguarda os comunicados oficiais da GOL e do Grupo ABRA sobre os próximos passos, incluindo a sucessão e as homenagens previstas. Enquanto isso, o setor presta tributo a um dos líderes mais influentes de sua geração, cujo legado seguirá presente em cada decolagem que simboliza um Brasil mais conectado.



