Gabinete de Nikolas Ferreira é notificado pela PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) enviou uma notificação ao gabinete do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em relação à “Caminhada pela Liberdade”, um ato que percorre a rodovia BR-040 em direção a Brasília. O documento destaca preocupações com a segurança viária e a ausência de comunicação prévia sobre o evento, que reúne manifestantes em protesto contra decisões judiciais recentes. Essa ação da PRF surge em meio a um contexto de polarização política, onde manifestações públicas testam os limites entre o direito de expressão e a ordem pública.
A caminhada teve início em 19 de janeiro de 2026, partindo de Paracatu, em Minas Gerais, com um percurso total estimado em 240 quilômetros. Liderada por Nikolas Ferreira, a iniciativa visa chamar atenção para a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e dos condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023. Participantes, incluindo apoiadores e simpatizantes, têm percorrido trechos da rodovia federal, enfrentando condições variadas de tráfego e clima, com o objetivo de chegar à capital federal até o dia 25 de janeiro.
No ofício encaminhado pela PRF, o órgão enfatiza os riscos operacionais inerentes à marcha, como o tráfego intenso em pistas simples e acostamentos limitados em certos segmentos da BR-040. Sem aviso antecipado, a polícia argumenta que não houve tempo adequado para uma análise de riscos e planejamento de medidas de segurança. A notificação cobra do deputado, como organizador, a adoção de protocolos para minimizar acidentes, garantindo que os manifestantes permaneçam no acostamento e evitem obstruir o fluxo de veículos.
Em resposta, a assessoria de Nikolas Ferreira contestou a versão da PRF, afirmando que não recebeu qualquer notificação formal, mas apenas um e-mail preventivo oferecendo suporte para a segurança do grupo. Eles destacam que comunicaram oficialmente a PRF e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no dia do início da caminhada, refutando alegações de falta de planejamento. Essa divergência revela tensões entre as autoridades e os organizadores, com o deputado mantendo o tom de que o ato é pacífico e constitucional.
A notificação gerou reações no Congresso Nacional, onde deputados do Partido dos Trabalhadores (PT), como Lindbergh Farias e Rogério Correia, pressionaram a PRF para interromper a caminhada. Eles argumentam que o evento representa perigos aos pedestres e ao tráfego, além de questionar a ausência de autorizações prévias. Essa intervenção política reflete o embate ideológico, com críticas de que a marcha poderia incentivar desordem similar a eventos passados.
Até o momento, a caminhada prossegue sob monitoramento constante da PRF, que se coloca à disposição para orientações técnicas sem, no entanto, bloquear o avanço do grupo. Com mais de 170 quilômetros já percorridos, os participantes relatam adesão crescente, embora enfrentem desafios logísticos e climáticos. O órgão federal reitera que não pretende impedir o ato, mas insiste na responsabilidade dos organizadores para preservar a integridade de todos envolvidos.
Esse episódio ilustra os desafios de equilibrar liberdades civis com a segurança pública em um país marcado por manifestações intensas. Enquanto Nikolas Ferreira defende a caminhada como um exercício democrático, as autoridades alertam para potenciais impactos no sistema viário nacional, destacando a necessidade de diálogos prévios em eventos de grande escala.



