Bacabal: reviravolta no caso e mãe e padrasto passam a ser investigados

O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no município de Bacabal, no Maranhão, ganhou novos e delicados desdobramentos nos últimos dias. A Polícia Civil confirmou que a mãe e o padrasto das crianças passaram a ser considerados suspeitos no inquérito que apura o caso, tratado como prioridade máxima pelas autoridades. A mudança no rumo das investigações ocorreu após a análise de informações consideradas inconsistentes, o que ampliou a atenção sobre o núcleo familiar mais próximo das crianças.
Segundo a Polícia Civil, versões divergentes apresentadas pelo casal sobre o dia do desaparecimento chamaram a atenção dos investigadores. Além disso, o fato de não terem iniciado buscas imediatas pelos irmãos levantou questionamentos. Em depoimento, ambos alegaram que teriam sido orientados por moradores da região a aguardar cerca de 24 horas antes de procurar ajuda oficial. Essa justificativa, no entanto, não foi considerada suficiente para afastar dúvidas, levando os dois a serem reconduzidos à delegacia para novas oitivas.
As autoridades confirmaram que os depoimentos já foram colhidos, mas ressaltaram que o conteúdo permanece sob sigilo para não comprometer o andamento das investigações. A Polícia Civil destacou que nenhuma linha de apuração foi descartada e que o objetivo, neste momento, é esclarecer todas as circunstâncias envolvendo o desaparecimento das crianças. A inclusão da mãe e do padrasto como suspeitos não significa conclusão do caso, mas indica um aprofundamento na análise de responsabilidades e condutas.
Paralelamente, outro elemento considerado importante para a investigação voltou a ganhar destaque. O primo das crianças, Anderson Kauan, de 8 anos, passou a colaborar novamente com as buscas, desta vez com autorização judicial. O menino, que havia sido localizado em estado debilitado dias após o desaparecimento dos primos, refez os últimos trajetos percorridos por eles, acompanhado por policiais e equipes da rede de proteção à infância.
A participação de Anderson foi avaliada como estratégica pelos investigadores, já que ele pode ajudar a reconstruir os passos finais das crianças e indicar locais relevantes para as diligências. Todo o procedimento foi realizado com acompanhamento técnico, respeitando protocolos de proteção à criança e ao adolescente, dada a sensibilidade do caso e o impacto emocional envolvido.
As buscas também foram intensificadas em áreas próximas ao Rio Mearim, após cães farejadores identificarem vestígios do cheiro das crianças até a margem do rio. A Marinha do Brasil foi acionada para reforçar os trabalhos, utilizando equipamentos como sonar para varredura da área. Até o momento, porém, não foram encontrados novos indícios que indiquem o paradeiro dos irmãos, e as operações continuam em andamento por terra e por água.
O caso de Ágatha Isabelly e Allan Michael segue como um dos mais complexos e comoventes registrados recentemente no Maranhão. A cada novo desdobramento, cresce a mobilização não apenas das autoridades, mas também da sociedade, que acompanha com apreensão e esperança por respostas. Enquanto as investigações avançam, equipes da Polícia Civil, da Marinha e de órgãos de proteção à infância atuam de forma integrada para esclarecer o ocorrido. A expectativa é de que as apurações tragam respostas concretas e que o caso tenha um desfecho capaz de garantir justiça e reforçar a importância da proteção integral às crianças.



